PL e União Brasil articulam no Congresso para barrar fim da escala 6×1

Os presidentes do PL e do União Brasil articulam para impedir que a proposta que acaba com a escala 6×1 seja levada ao plenário do Congresso antes das eleições. A movimentação ocorreu em Brasília e ganhou força na noite desta segunda-feira (23), durante jantar com empresários promovido pela Esfera Brasil, em São Paulo.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o dirigente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmaram que vão trabalhar junto às bancadas para segurar a tramitação da proposta.
Eles avaliam que o texto tem grande chance de aprovação em ano eleitoral, impulsionado por parlamentares que disputarão reeleição ou outro mandato.
Rueda declarou ter posição pessoal contrária à medida, sob o argumento de que ela pode onerar o setor produtivo e pressionar a inflação. Ainda assim, reconheceu o custo político de votar contra.
Segundo ele, a estratégia seria travar o avanço ainda na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ), evitando que a matéria chegue ao plenário, onde a aprovação seria, nas palavras dele, “avassaladora”.
Na mesma linha, Valdemar Costa Neto afirmou que votar contra o projeto seria politicamente difícil e defendeu articulação para impedir que a proposta entre em pauta.
O jantar contou com apoio de representantes do setor produtivo, incluindo nomes ligados ao varejo e empresas como Google e iFood, que manifestaram preocupação com os impactos econômicos da mudança.
Do outro lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o fim da escala 6×1 como prioridade neste último ano de mandato e atua para acelerar a tramitação.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou celeridade e deve indicar o relator da PEC na CCJ nos próximos dias.
A proposta reúne textos apresentados por Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). O objetivo é alterar a Constituição para permitir a redução da jornada semanal, substituindo o modelo atual de seis dias de trabalho por um de descanso para cinco dias de trabalho e dois de folga.
Hugo Motta afirmou recentemente que o debate exige equilíbrio e responsabilidade, destacando que o país precisa discutir modernização das relações de trabalho ouvindo a sociedade e o setor produtivo.
O fim da escala 6×1 também mobiliza centrais sindicais e deve ser o tema central das manifestações do 1º de Maio deste ano.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.






















