Reflexão Por: Ygor Coelho

Reflexão Por: Ygor Coelho

O desamor pela cidade…

Ygor da Silva Coelho

A primeira vez que ouvi falar em “mobiliário urbano” foi em Buenos Aires. Uma jovem pregava propaganda de uma hospedaria em área nobre e turística da cidade. De imediato, a polícia apareceu, explicou a proibição de sujar o “mobiliário urbano” e impediu a colagem.

Entende-se por “mobiliário urbano” os equipamentos instalados em espaços públicos para o uso da população: Pontos de ônibus, bancos de jardins, lixeiras, placas de sinalização e postes são alguns exemplos.

O “mobiliário urbano” também tem a função de embelezar a cidade. É lamentável que as pessoas não reconheçam o valor do bem público e que uma cidade bem cuidada torna o viver mais feliz.

Vou tomar Salvador como exemplo do desamor de parte dos habitantes, poderia ser qualquer de nossas cidades do interior.

Não sei se já foi inaugurada a recente reforma da praça em frente ao Teatro Castro Alves. Uma reforma para comemorar o Aniversário de Salvador. Mas os danos causados pela ignorância já são vistos: Postes pichados, colagens nos pontos de ônibus, vidros blindex, luminárias e tampas de bueiros roubados.

Contra esse mal é preciso um esforço coletivo. Se a cidade se embelezar, passamos mais tempo na rua, a tendência do mercado é vender mais, girar a economia, atrair novos negócios.

Aquele que maltrata o “mobiliário urbano” maltrata toda a sociedade e causa prejuízo ao Estado. Pela lei, a detenção é de seis meses. Que se cumpra a lei! Xadrex! Quero cidade bela para viver.

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Cruz das Almas em outros tempos

Por Ygor da Silva Coelho

Quando cheguei a Cruz das Almas para estudar no CEAT em 1964, sozinho e com apenas quinze anos de idade, apesar da boa acolhida, senti o peso da solidão. Eu havia deixado amigos e parentes em Ilhéus e Itabuna e o choque da mudança para um adolescente era previsível.

Mas Cruz das Almas, embora com pouco mais de 20 mil habitantes, tinha o seu diferencial e me cativou. Eu trazia um “vício” que se eterniza em mim: o cinema.
Aqui encontrei o cine Glória, depois chamado de Ópera, e nele me refugiava. Era um paraíso iluminado, na cidade de poucas luzes. O que faltava em conforto era compensado com a programação. Lembro-me de ter assistido no Glória, assim que cheguei, clássicos como “Os Pássaros”, “O Pagador de Promessas” e “Lawrence da Arábia”. Mais tarde, o memorável Dr. Jivago.

Também no cine Glória e no Cruz das Almas Clube apresentavam-se estrelas do rádio, do teatro e da tv brasileira, como Ângela Maria, Nora Ney, Jorge Goulart, Nelson Gonçalves, Virgínia Lane… Um sucesso à parte foi a vinda da orquestra mexicana Marimba Alma Latina, em excursão pelo Brasil.
Falei do cine Glória, mas outras salas existiram. Num certo período, por iniciativa da Agro Comercial Fumageira, foi inaugurado um cinema ao lado da fábrica Suerdieck, hoje um templo evangélico.
No anfiteatro da EAUFBA, atual UFRB, embora sem programação fixa, eventualmente eram exibidos filmes e peças. Ali assisti “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, clássico de Glauber Rocha.
Nesse meu pensar sobre a Cruz das Almas cultural, um evento é para mim inesquecível. Uma só vez na vida ouvi um concerto da Orquestra Sinfônica da Bahia-OSBA, com cerca de cem músicos. Ocorreu na cerimônia de posse da Sra. Gisela Suerdieck, como presidente da antiga Associação Comercial de Cruz das Almas.
Para se ter uma ideia da dimensão da OSBA, a orquestra já acompanhou concertos de nomes como Pavarotti e Montserrat Caballé. Além de realizar apresentações ao lado do Ballet Bolshoi (Rússia) e Ballet da cidade de Nova York.
Trazer hoje a OSBA e orquestras internacionais pode ser impossível. Mas me arrisco a dar sugestão aos organizadores de eventos na nossa cidade.
Sem desmerecer o popular, tragam de Salvador uma jovem como Eneida Lima, com o seu canto lírico, a Orkestra Rumpilezz, o maestro Fred Dantas… Músicos baianos com apresentações pelo mundo e que, certamente, nunca estiveram na cidade universitária de Cruz das Almas.

Vamos permitir à juventude conhecimentos, sonhos maiores e viagens até os clássicos e à arte dos gênios. São músicos que pouco custam, se comparados aos cantores populares que costumam frequentar o nosso calendário.

Hoje Cruz das Almas tem o triplo da população dos anos 1960, tem universidade, muitos cursos superiores, comércio vibrante e um público jovem e seleto.
Eventos clássicos contribuem para formar mentes curiosas e criativas, estimulam a imaginação e a capacidade de pensar criticamente.
Pensemos nisso. Como já pensamos num passado.

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Dr. Gerson: Um homem que sonhava e realizava

Por Ygor da Silva Coelho

Acredito nos homens que sonham alto. O médico e político GERSON DE DEUS BARROS era um cidadão que se enquadrava nessa categoria.

Lembro-me quando Deputado sonhava com a instalação de uma fábrica de suco de laranja em Sapeaçu-BA, cidade onde nasceu e foi prefeito em duas ocasiões. Para atingir seu objetivo, viabilizou uma área em local propício, com disponibilidade de água, trouxe empresários do ramo e representantes da sede do Banco Mundial para uma visita.

Presente à reunião, como especialista em citricultura, endossei as reivindicações do Dr. Gerson na certeza que seria um divisor de água na economia regional.

Infelizmente, fatores alheios à sua vontade impediram a execução do projeto.

O sonho mais alto do Dr. Gerson foi colocar Sapeaçu na lista das cidades candidatas a receber a fábrica Fiat de automóveis. Seu projeto chegou a ser citado em revistas de grande circulação nacional.

Apesar de todas as facilidades que o sonhador Dr. Gerson enumerou (disponibilidade de mão de obra, universidade, estradas, infraestrutura, proximidade do pólo petroquímico, do porto marítimo, do Rio Paraguassu e de cidades históricas), era impossível concorrer com grandes pólos industriais, como o de Pernambuco.

Mas sonhar é característica dos grandes homens. Pensar em Dr. Gerson de Deus Barros me remete a frase de Fernando Pessoa:
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.” Ele tinha, por isso construiu hospitais e clínicas, salvou vidas, atendia com atenção pobres e ricos. Há algo mais engrandecedor que salvar vidas?

Hoje, a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia decreta três dias de luto pela passagem do Dr. Gerson, que foi deputado estadual em duas legislaturas. Falar da sua atuação encheria páginas.

A mim, como admirador e amigo, cabe dizer que nunca negou uma solicitação, fosse técnica, científica ou médica. Mais de uma vez o fiz deslocar-se à noite de Sapeaçu para atender um enfermo, gente simples:

  • Gerson! Conhece Galdino?
  • Sim! O mestre de obras!
  • Não está bem, você pode vir dar uma olhada?
  • Dê-me vinte minutos!

E em poucos instantes ele chegava a Cruz das Almas para ver o meu amigo Galdino.

Hoje ficamos pobres de ideias, partiu um sonhador. E estou triste porque o mundo carece deste tipo de homem. São esses que fazem a humanidade viver tempos melhores e a vida moderna.

Cristóvão Colombo, Henry Ford, Louis Pasteur, Adolf Lutz, Martin Luther King foram sonhadores de outros tempos que realizaram, viveram em terras férteis para as suas realizações. Dr. Gerson, mesmo tendo uma origem humilde, vivendo a dificuldade do interior baiano, alimentou seus sonhos, arregaçou as mangas e foi longe. Tornou-se médico, prefeito, deputado e construiu um vasto currículo. Em terras mais férteis teria ultrapassado muitas outras fronteiras.

É grande o meu pesar! Meu abraço aos familiares.

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Italianos em Cruz das Almas

Parte 3

Por: Ygor da Silva Coelho

Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao Brasil por volta de 1870, tendo a maior parte vindo entre 1880 e 1910.

Naquele final do século XIX chegou Francesco Paolo Chiacchio, um dos primeiros italianos a se estabelecer em CRUZ DAS ALMAS, na Bahia.

Os italianos chegaram trazendo na bagagem o desejo firme de progredir na nova terra, exercendo comércio, abrindo empresas, trabalhando nas lavouras ou em obras públicas.

Francesco Paolo Chiacchio era proveniente de Lauria, província de Basilicata, situada a 77 km de Nápoles. Apesar da rica história da região, da cultura e encantos naturais, as dificuldades econômicas da Itália na época forçaram a emigração. Diz um dos descendentes dos Chiacchios que um orgulho dos italianos da sua região de origem é por ela ser a terra natal da pizza!

Francesco Paolo Chiacchio ao chegar trazia algum recurso financeiro e iniciou a vida na Bahia percorrendo o Recôncavo como mascate. Com o tempo se identificou com Cruz das Almas, fixou moradia e passou a explorar as suas habilidades manuais, tornando-se alfaiate.

Os descendentes imediatos de Francesco Paolo foram o Sr. Albérico Chiacchio e Álvaro Chiacchio, já naturais de Cruz das Almas, que aqui cresceram e estudaram. Albérico tornou-se escriturário numa empresa local e Álvaro inaugurou uma loja de tecidos. Posteriormente, Álvaro se tornou mais conhecido de várias gerações cruzalmenses por criar a primeira banca de jornais e revistas, que funcionava na sua própria loja, à Praça Senador Themístocles.

Jornais diários e revistas de toda natureza, noticiosas e de variedades, como O Cruzeiro, Manchete, Realidade e Fatos e Fotos. E também de decoração, moda, arquitetura, bordado e infantis, como as de Disney davam movimento à loja e popularidade ao Sr.Álvaro, cuja simplicidade o permitia ser chamado apenas pelo apelido: Sr. VADENGUE.

Antes de se firmar na loja, Sr. Vadengue foi proprietário de um pensionato, quando a cidade já crescia e necessitava de hospedaria.

Três vocações os italianos traziam das origens: habilidade para o comércio, conhecimento sobre tecidos e talento para tear, produzir tapetes e costurar.

Dessa forma, os italianos deixaram suas contribuições para o progresso econômico, cultural e no vestir-se em Cruz das Almas.

Estima-se haver no Brasil cerca de 25 milhões de descendentes de italianos, a maioria vivendo nas regiões sul e sudeste. Por aqui, embora em número muito menor, estão os descendentes dos Chiacchio, Alfano e Galotti, famílias bem sucedidas que honram a origem e a terra que os acolheu. Dentre esses, dois destacados colegas agrônomos, Edson Chiacchio e Francisco Paulo Chiacchio, este último ganhou o nome do avô italiano, Francesco Paolo!

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Uma história natalina…

Por: Ygor da Silva Coelho

Além de enfatizar o espírito natalino, esse texto é uma homenagem ao Dr. REINALDO DAMASCENO SOUZA.

Aproxima-se o Natal, lojas e ruas da cidade ganham luzes e decoração. Ao ver o movimento de lojistas com o trabalho de ornamentação, lembro-me de anos passados na nossa Rua Leonel Ribas.

A rua de curta extensão, tinha árvores frondosas (castanheiras) em ambos os lados, pouco movimento de carros e segurança. À sombra das árvores gurias brincavam de “baleado” e de cantigas de roda e os rapazes jogavam futebol.

Foi nessa época que o casal de médicos, Dr. Reinaldo Damasceno Souza e Dra. Rita Ramos Souza, vindos da cidade do Prado-BA, passaram a residir na Leonel Ribas, em Cruz das Almas.

Anualmente, às vésperas do Natal, num gesto de doação, o Dr. Reinaldo, por conta própria, se encarregava de ornamentar as castanheiras da rua com lâmpadas multicoloridas.

A iniciativa do Dr. Reinaldo não tinha o sentido apenas de embelezar nosso ambiente e celebrar o Natal. Era um presente para seus vizinhos, uma forma de socializar e uma maneira de dizer ao mundo que o nosso espaço não deve apenas se restringir ao que está no interior do nosso muro, por trás das portas que se fecham. Nosso espaço é o todo: O nosso bairro, a rua, a cidade.

Enquanto morou na Leonel Ribas, Dr. Reinaldo fez a diferença. E todo aquele que faz a diferença fica lembrado pelas boas marcas deixadas.

Hoje eu pintei um muro próximo para refazer um canteiro de flores e evitar que joguem lixo na esquina. Enquanto fazia o meu simples trabalho voluntário, lembrei do grande médico Dr. Reinaldo Damasceno Souza. Um cidadão que passou por nossa rua, deixou bons rastros, fez a diferença e se tornou inesquecível. Um exemplo a seguir!

O que fiz foi um nada, comparado ao que ele fazia e, é provável, continue fazendo no seu novo endereço.

Bravo, Dr. REINALDO!

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