Os ensinamentos que a morte de Preta Gil deixa para a humanidade

Preta Gil, filha de Gilberto Gil, construiu uma carreira marcada pela autenticidade, talento próprio e compromisso com causas sociais. Embora tenha iniciado a trajetória com visibilidade familiar, ela expandiu seu prestígio com trabalho, abraço de amizades e presença constante, ultrapassando a fama inicial.
Negra e autodeclarada bissexual, Preta se destacou como voz firme na defesa das comunidades LGBT+ e da população gorda. Vivendo essas identidades com leveza e coragem, tornou-se símbolo de representatividade.
Sua capacidade de impulsionar carreiras era notável. Márcio Vitor, vocalista do Psirico, destacou em homenagem publicada no Gshow que “Preta me acolheu nos momentos mais difíceis e foi uma das pessoas que mais impulsionaram a minha carreira. Ela era afeto, ponte, força e generosidade. Meu amor eterno.” A intensidade e profundidade de suas relações pessoais contrastavam com uma sociedade muitas vezes fria e distante.
Além dos formadores de opinião, seu círculo era composto por dezenas de amigos próximos, artistas, ativistas, colegas de mercado, todos impactados pela sua empatia e lealdade. Amizades que resistiram ao tempo, à fama e às fases da vida, como com o apresentador Gominho e a atriz Carolina Dieckmann, revelam a forma intensa e verdadeira com que Preta cultivava os afetos. Gominho esteve ao lado dela durante boa parte do tratamento, inclusive nos momentos mais delicados. Já Carolina, que fez questão de viajar ao seu encontro em diversas ocasiões, mantinha com Preta uma relação de irmandade. Essa rede de afetos, construída ao longo de anos, mostra como sua presença ia além da artista: ela era abrigo, cuidado e constância para os que amava.
O legado mais profundo talvez resida em sua reflexão sobre o autocuidado. Preta contou em entrevista ao programa Mais Você, da TV Globo, conduzida por Ana Maria Braga, que percebeu ter negligenciado sinais fundamentais da saúde: prisão de ventre por até dez dias, fezes achatadas, presença de sangue e muco, picos de pressão e dores de cabeça. Ela atribuiu essa negligência à rotina intensa e à priorização do trabalho, deixando de lado a própria vida. Foi somente após o diagnóstico que entendeu a urgência de cuidar de si.
Ela aproveitou o espaço no programa para alertar sobre a importância da prevenção. Segundo os protocolos médicos, a colonoscopia deve ser realizada periodicamente a partir dos 45 anos de idade, mesmo por pessoas sem sintomas aparentes. No caso de histórico familiar de câncer colorretal, os especialistas recomendam iniciar esse acompanhamento até 10 anos antes da idade em que o parente mais próximo foi diagnosticado. Além disso, visitas regulares ao médico e atenção aos sinais do corpo são essenciais para um diagnóstico precoce, o que aumenta significativamente as chances de cura.
O caso dela reforça a relevância da detecção precoce: o câncer de intestino é mais facilmente tratado quando identificado cedo, especialmente a partir dos 50 anos.

André Eloy é político, apaixonado por comunicação, idealizador e fundador do JornalZero75. Escreve e compartilha opiniões no site, com olhar crítico, linguagem direta e compromisso com a informação de qualidade.














