Brasil registra superioridade de importação de calçados pela primeira vez em quase 30 anos

O Brasil registrou, em julho de 2026, um resultado inédito em quase três décadas na balança comercial do setor calçadista. Pela primeira vez desde pelo menos 1997, o país importou mais calçados do que exportou em um único mês.
As importações somaram US$ 66 milhões, o equivalente a cerca de R$ 382 milhões, em chinelos, sandálias e sapatos. Já as exportações alcançaram US$ 62 milhões, aproximadamente R$ 314 milhões.
O resultado reflete uma trajetória de queda nas receitas obtidas com as exportações de calçados e de crescimento das importações, tendência que se intensificou desde o início da última década.
Entre janeiro e julho, o Brasil importou US$ 373 milhões em calçados, cerca de 30 milhões de pares. O valor representa alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as exportações tiveram queda de 18% na receita.
Os dados foram compilados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo a associação, o resultado pode estar relacionado à redução das vendas para os Estados Unidos e a Argentina, principais destinos dos calçados brasileiros, combinada ao aumento da entrada de produtos de menor preço provenientes principalmente da China, do Vietnã e da Indonésia.
Entre janeiro e julho, as importações de calçados chineses chegaram a US$ 31 milhões, correspondentes a cerca de 10 milhões de pares. Em relação ao mesmo período de 2025, houve aumento de 13% na receita e de 26,8% no volume.
As exportações de calçados brasileiros também perderam espaço nos principais mercados. A receita das vendas para os Estados Unidos caiu 25%, enquanto as exportações para a Argentina recuaram 58%.
O cenário pode se agravar para os fabricantes brasileiros que dependem do mercado norte-americano. Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo calçados. O setor teme uma nova redução das exportações caso os produtos não sejam incluídos nas exceções à medida.
Diante desse cenário, a Abicalçados defende a adoção de cotas para limitar a entrada de calçados asiáticos no mercado brasileiro. A entidade argumenta que a medida permitiria à indústria nacional absorver parte da produção que anteriormente era destinada ao mercado norte-americano.
O MDIC informou que, até o momento, não recebeu pedido formal para adoção de cotas de importação de calçados. Segundo o ministério, caso uma solicitação seja apresentada, ela será submetida a análise técnica antes de eventual decisão.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.















