Jaques Wagner diz que manterá candidatura ao Senado após operação da PF e nega ligação com Daniel Vorcaro

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta quinta-feira (18) que manterá sua candidatura à reeleição, mesmo após ser alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à TV Band, o senador declarou estar tranquilo em relação às investigações e afirmou que não vê motivo para desistir da disputa eleitoral.
“Minha candidatura está absolutamente mantida. Estou muito seguro de tudo que fiz, da minha vida pessoal. Não tenho empresa, só tenho CPF. Meu patrimônio é um apartamento onde moro e um sítio em Andaraí, ambos declarados no Imposto de Renda”, afirmou.
Wagner também revelou ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo ele, manifestou solidariedade após a operação. Questionado sobre uma eventual saída da liderança do governo no Senado, afirmou acreditar que continuará no cargo.
Operação investiga supostas vantagens indevidas
A Operação Compliance Zero apura se gestores do antigo Banco Master teriam concedido vantagens indevidas ao senador em troca de influência parlamentar.
Segundo as investigações da Polícia Federal, um dos focos da apuração envolve a negociação de um apartamento de luxo no empreendimento Poème Horto, avaliado em R$ 2,5 milhões. A PF suspeita que a compra tenha sido estruturada para ocultar o beneficiário final.
Outro eixo da investigação envolve uma transferência de R$ 3,5 milhões para a empresa BN Financeira Ltda., ligada ao núcleo familiar do senador por meio de seu enteado, Eduardo Sodré, atual secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia.
Ainda conforme a investigação, a suposta contrapartida seria a atuação de Jaques Wagner em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, incluindo discussões sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil, 33 mil euros e dois aparelhos celulares pertencentes ao senador.
Senador nega irregularidades
Jaques Wagner negou ter recebido qualquer benefício relacionado ao imóvel investigado. Segundo ele, a negociação previa que um empresário adquirisse o apartamento temporariamente para, posteriormente, revendê-lo à sua filha.
O senador também negou ter atuado em favor do Banco Master no Congresso e afirmou que orientou voto contrário à ampliação do Fundo Garantidor de Créditos, além de declarar apoio à instalação de uma CPI para investigar a instituição financeira.
Sobre o dinheiro em espécie apreendido, Wagner afirmou que os valores são provenientes de diárias recebidas em viagens internacionais oficiais e de moeda estrangeira adquirida legalmente junto ao Banco do Brasil.
Ele também negou possuir relação próxima com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmando que encontrou o empresário apenas duas vezes e que nunca participou de negociações em seu favor.
As investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal, e até o momento não há decisão judicial sobre eventual responsabilização criminal do senador.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.














