EUA avaliam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; Lula e Flávio Bolsonaro trocam críticas sobre medida

Os Estados Unidos avaliam a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A proposta, que ainda depende de decisão final, poderá entrar em vigor em 15 de julho e já provocou repercussões políticas e diplomáticas entre os dois países.
Segundo o relatório divulgado pelo USTR, algumas políticas brasileiras foram consideradas “irrazoáveis” e capazes de restringir ou prejudicar interesses comerciais norte-americanos. Entre os pontos analisados estão o comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico como o Pix, questões relacionadas ao desmatamento ilegal, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol.
A proposta prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, mas estabelece exceções para itens considerados estratégicos ou de difícil substituição no mercado norte-americano. Permaneceriam fora da taxação produtos como carne bovina, café, frutas, nozes, petróleo e derivados, fertilizantes, medicamentos, terras raras, determinados metais e peças de aeronaves.
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O governo americano abriu consulta pública sobre o tema e seguirá recebendo manifestações até o início de julho, antes da definição sobre possíveis medidas comerciais.
Em meio às discussões, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que a nova tarifa não seja aplicada. No documento, o parlamentar argumenta que a medida poderá gerar impactos econômicos para o Brasil e afirma que pretende fortalecer as relações comerciais entre os dois países caso seja eleito presidente da República.
O senador também agradeceu à decisão americana de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida gerou reações dentro do governo brasileiro e ampliou o debate sobre a relação diplomática entre os dois países.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu parte da responsabilidade pela proposta de taxação à atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas. Durante declaração pública, Lula criticou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que houve tentativa de interferência estrangeira em assuntos brasileiros.
A troca de acusações ocorre enquanto o governo federal mantém negociações com autoridades dos Estados Unidos para tentar evitar a adoção das novas tarifas. A decisão final sobre a eventual aplicação da medida deverá ser anunciada até 15 de julho.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.
















