Reflexão Por: Ygor Coelho

Reflexão Por: Ygor Coelho

Italianos em Cruz das Almas

Parte 2

Por: Ygor da Silva Coelho

Esse texto é continuação do histórico da chegada de imigrantes à Cruz das Almas, ocorrido no início do século XX, suas vidas e contribuições ao desenvolvimento. Um dos imigrantes, o Sr. VICENTE ALFANO

Os dois lugares mais prováveis para conversar calmamente com Vicente Alfano era na saída da missa na igreja da Matriz, que ele frequentava religiosamente, ou na sua barbearia preferida, na Avenida Alberto Passos.

Na barbearia, interrompendo sua prosa com os amigos, levei algumas vezes músicas italianas para ele me traduzir, no tempo em que não havia Google:

🎶”Volaré, oh-oh

Cantaré, oh-oh-oh-oh

Nel blu dipinto di blu

Felice di stare lassù…”

Numa dessas conversas, Sr. Vicente me contou que nasceu em Lagonegro, na província de Potenza. E relatou um fato histórico da sua região na Itália que me deixou surpreso: “Em Lagonegro encontram-se os restos mortais de Lisa Gherardini, a provável modelo de Leonardo da Vinci para a pintura da Monalisa. Lisa Gherardini faleceu no local durante uma viagem com o marido, um negociante de peles.”

Dada à genialidade do pintor, o valor e fama da sua pintura, foi construído o Monalisa Museu em Lagonegro, mesmo local do nascimento de Vicente Alfano.

O Sr. Vicente contava que viveu várias fases de Cruz das Almas. A cidade de ruas estreitas, sem pavimentação e com muitas casas cobertas de palha. Posteriormente, como comerciante, participou do desenvolvimento e conviveu com as mudanças. Acompanhou a chegada da Escola Agronômica, do Banco do Brasil, Instituto Baiano do Fumo, Instituto de Pesquisa IPEAL/Embrapa e empresas como a Suerdieck. Viu o crescimento da indústria fumageira, a transformação de Cruz das Almas na Capital do Fumo e a posterior retração do agronegócio fumageiro.

Em 1939, eclodiu a Segunda Guerra Mundial e a Itália, governada por Benito Mussolini, alinhou-se com a Alemanha de Hitler. O Sr. Vicente já residia em Cruz das Almas há 14 anos, era um homem e admirado, nunca deixou de contar com a cordialidade dos cruzalmenses. Era um democrata, jamais se alinharia com as ideias de Mussolini. Noutros estados brasileiros, cidadãos italianos chegaram a ser hostilizados, mas aqui prevaleceu a compreensão dos fatos.

Vivendo em Cruz das Almas durante quase 80 anos (sua chegada foi em 1925), o italiano Vicente Alfano conquistou o seu espaço, criou raízes, constituiu família, manteve comércio de tecidos, vestiu a sociedade e gerou empregos com a sua Loja Alfano, localizada na Praça Senador Themístocles.

Faleceu aos 102 anos de idade, em 2012. Como muitos que vieram da Itália para o Brasil, fez história, ajudou o desenvolvimento, deixou marcas, merece ser lembrado.

Vicente Alfano foi último imigrante italiano daquele período histórico na nossa cidade.

FOTOS 1. Monna Lisa Museum

  1. Basilicata Nel Cuore

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Jayme Fygura: Um cruzalmense famoso que nos deixa

Por: Ygor da Silva Coelho

Se você estiver seguindo com uma câmera ou celular e observar uma cena digna de registro, clique! Se for uma pessoa, uma personalidade, consulte, peça permissão, tente fotografar, registrar o momento, a história.

Eu não conhecia Jayme Fygura até o dia em que, caminhando em Salvador pela Avenida Sete, dei de frente com uma pessoa vestida com uma armadura de ferro. Totalmente coberto, logo imaginei ser um artista, poeta, um visionário. E pedi permissão para fotografá-lo.

Não precisava ver a face, nem as mãos, para perceber a energia e a simpatia que, fantasticamente, emanava daquela figura que se identificou para mim: Jayme Fygura.

Pedi para fazer uma foto, ele fez pose, fiz vários cliques. Agradeci e, somente depois, descobri que estive com um conterrâneo cruzalmense, querido e famoso, lendário e emblemático. Jayme Fygura era filho de Epifânia e Arlindo Andrade de Almeida, um integrante da Marinha Mercante, que, por razões profissionais, se mudou para Salvador.

Hoje recebi a notícia do falecimento de Jayme Fygura, um artista pouco conhecido aqui na sua cidade, mas admirado em Salvador e noutros estados.

Jayme Fygura era a arte performática caminhante. Por que se vestia daquela maneira? Por que escondia o rosto e todo o corpo? Como confeccionava as armaduras?

Por ser conterrâneo, por ser artista, por ter lido que Jayme Fygura teve um período de dificuldade financeira, eu poderia ter ido visitá-lo em seu atelier, no centro histórico de Salvador. Eu poderia convidá-lo a vir à sua cidade natal, mostrar o seu trabalho. Não fiz nada disto. E Jayme Fygura faleceu aos 64 anos.

Atualmente, preparava com o artista plástico Leonel Mattos, seu grande amigo, obras para uma exposição em São Paulo em 2024. Faleceu antes!

Existem iniciativas que se não forem tomadas, amanhã será tarde. Jayme Fygura fez fotos comigo sem saber quem eu era, sem saber que estava diante de um conterrâneo. Agora é tarde para lhe abraçar.

Vá em paz, conterrâneo! Você marcou na vida! Fez arte e fez a diferença!

Foto: Eduardo Araújo

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Reflexão Por: Ygor Coelho

ITALIANOS EM CRUZ DAS ALMAS

Parte 1

Por: Ygor da Silva Coelho

Depois de descrever a chegada e HISTÓRIA DE ISRAELITAS em Cruz das Almas, centrada na família da professora Tillie e do professor Moysés Waxman, o atual texto enfoca a COMUNIDADE ITALIANA na nossa cidade.

Os italianos foram mais numerosos e anteriores aos israelitas. O italiano Vicente Alfano, que nos deixou em 2012, aos 102 anos de idade, tinha satisfação em contar a sua longa e rica história, cujos detalhes guardava nítidos na memória. O sotaque do Sul da Itália, um dos traços da sua conversa, ele carregou ao longo da vida, até partir, aos 102 anos de idade.

Era uma satisfação conversar com Vicente Alfano. Nascido em Lagonegro, saiu de Nápoles em 28 de agosto de 1935. O navio em que veio fez escalas em Gênova, Recife e Salvador. Na capital baiana, tomou o navio da CNB- Companhia de Navegação Baiana – e viajou pelo Rio Paraguassu até Cachoeira, encantado com a paisagem e a exuberância verde, diferente de tudo que havia visto na vida. Tinha na época 25 anos de idade.

De Cachoeira, seguiu de carro até Cruz das Almas ao encontro do irmão Pascoal Alfano e do casal de tios comerciantes aqui residentes.

Pascoal havia chegado em 1915, um ano após o início da Primeira Guerra Mundial, numa sofrida viagem, ainda em barco a vapor. Naqueles anos a Europa vivia em crise e o governo brasileiro estimulava a imigração.

Por mais distante no tempo que possa parecer a chegada dos Alfanos, já se encontravam aqui conterrâneos como Leopoldo Cezarano, João de Calucci, (Giovanni Calucci), Francesco Paolo Chiacchio, Paolo e Julio Gallotti. À exceção de Francesco Paolo que era alfaiate, os demais foram negociantes, que, viajando por diferentes cidades, viram futuro na Cruz das Almas que emergia e se estabeleceram na cidade.

A imigração italiana no Brasil foi intensa entre 1880 e 1930, período que coincide com a chegada dos italianos na Bahia.

Pelo muito que contribuíram, para nossa honra, podemos chamá-los de ítalo-cruzalmenses. Eram homens empreendedores que abriram comércio, construíram suas residências e deram suas contribuições para o desenvolvimento do local, caracterizado pela existência de uma cruz onde paravam os viajantes para orar, daí resultando o nome: Cruz das Almas.

Todos constituíram famílias, cujos descendentes permanecem imbuídos do sentimento de desenvolver Cruz das Almas. Casado com Dona Maria José Alfano, o Sr. Vicente teve três filhas: Rosa, Valéria e Ângela. Do casamento anterior, Agnese e Giovanni, tendo o primogênito falecido precocemente.

No próximo capítulo, as iniciativas dos italianos em nossa cidade, seus descendentes e as transformações no decorrer do século passado.

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Reflexão Por: Ygor Coelho

TILLIE WAXMAN: Uma história admirável

Por: Ygor da Silva Coelho

Na próxima série de artigos abordaremos sobre comunidades estrangeiras em Cruz das Almas, a vinda no século passado e suas contribuições para a nossa sociedade. São famílias israelitas, italianas, libanesas, alemãs, que chegaram e aqui deixaram marcas inestimáveis.

Iniciamos a série com uma cidadã do mundo, a norte-americana/israelita/baiana/cruzalmense, TILLIE WAXMAN.

O texto é uma homenagem à professora, um reconhecimento pela sua atuação no ensino em nossa cidade.

Cruz das Almas, por situar-se num roteiro comercial, possuir agricultura diversificada e sediar várias instituições federais e estaduais, atraiu estrangeiros que lhe deram características de uma cidade globalizada e cosmopolita.

Alguns vieram por razões comerciais, outros por motivos técnicos ou industriais. Tillie Waxman veio por razões familiares e culturais, tornou-se professora de Inglês do Colégio Estadual Alberto Torres-CEAT e, aqui vivendo, contribuiu para enriquecer o ensino.

Por que e quando a cidadã internacional Tillie Waxman chegou à Cruz das Almas?

Tillie Waxman nasceu nos Estados Unidos, para onde seus pais judeus migraram, após viver na Rússia.

O seu nome, raro no Brasil, é influência norte-americana, visto ser Tillie uma denominação muito comum no Bronx, bairro simples onde morava com a sua família, em Nova York. Traduzido, o seu nome seria Tília, árvore de grande beleza e valores medicinais.

No período após a primeira guerra mundial, ocorreu forte crise econômica nos Estados Unidos, conhecida como a Grande Depressão e a família optou por deixar Nova York, tomando outros destinos: Brasil, Aracaju e Salvador.

Em Salvador, Tillie foi estudar no Colégio Israelita, onde conheceu Moysés Waxman. A aproximação com o colega Moysés, também israelita, evoluiu para amizade, namoro e o casamento, que lhes proporcionou os filhos George Waxman e Katia Waxman Armoza.

O jovem Moysés inclinou-se pela Agronomia e se graduou na segunda turma da antiga Escola Agronômica da Bahia-EAB, recém instalada em Cruz das Almas. Possuidor de uma natureza carismática, recebeu convite para o ensino, assumiu a disciplina Climatologia e, posteriormente, chegou à função de Diretor da Escola Agronômica.

Paralelamente, Tillie desenvolvia suas habilidades. Nascida e criada em Nova York, foi funcionária do Consulado Americano na Bahia, mais tarde professora de Inglês no Colégio Estadual Alberto Torres (CEAT) e na Associação Cultural Brasil Estados Unidos (ACBEU), em Salvador. Muitos são os ex-alunos, espalhados pela Bahia, que se recordam da excelente mestra.

Em Cruz das Almas, o seu endereço inicial foi o bairro dos funcionários na EAB e depois a vila dos professores. A distância do centro não a afastava dos eventos artísticos e culturais da cidade, onde era figura admirada. Hoje, Tillie Waxman, já viúva do professor Moysés, mora em Guarajuba, no Litoral Norte da Bahia.

Personalidade de rica história, a professora Tillie Waxman marcou época em todos os lugares por onde passou, notadamente em Cruz das Almas, com a sua postura elegante, experiência e saber.

Ser professora é uma profissão de grandeza ímpar, seladora de destinos. Tillie foi mais que isso por levar aos alunos, além do idioma que propunha ensinar, a experiência de uma vida familiar, marcada por fatos históricos, heroísmo e um caminhar pelo mundo. Felizes fomos por seu roteiro de vida incluir Cruz das Almas, a EAUFBA e o CEAT.

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Reflexão Por: Ygor Coelho

História de Sucesso:

ADEMIR LUIZ FERREIRA

Por: Ygor da Silva Coelho

Os estudiosos do desenvolvimento econômico definem que ser empresário é romper fronteiras, conquistar objetivos, sonhar e realizar. Eu penso no empresário ADEMIR LUIZ FERREIRA e o pensamento vai mais longe, ser empresário é, também, pensar no próximo e contribuir para o desenvolvimento regional.

O Sr. Ademir, sócio da REAL CALÇADOS é um empresário de longa história, um homem que Cruz das Almas teve a sorte de abraçar. Chegou à cidade para gerenciar uma loja, revolucionou o segmento de calçados, contribui hoje para movimentar a economia local e gerar dezenas de empregos diretos e indiretos.

A história de Sr. Ademir Luiz iniciou em Patos-MG, onde nasceu em 1952. É um empresário bem sucedido, daqueles que chamamos de “self-made man”, que se formou na universidade da vida. Quando criança, juntamente com os pais e os sete irmãos, residiu até os nove anos de idade na zona rural, mais exatamente no Arraial dos Afonsos, em Patos.

Casado com Ilza Ferreira, na cidade de Patos trabalhou na Casa Pernambucanas e nas lojas Lobato e Confecções Tatão, onde permaneceu por 20 anos. Essas foram as faculdades de Ademir.

No ano 2000 iniciava um novo século para a humanidade e uma nova história na vida do Sr. Ademir, ao aceitar o convite para gerenciar uma loja de calçados, em Valença, na Bahia.

Quatro anos depois, em 2004, surgiu um outro convite, desta feita para a gerência da Irmãos Calçados, hoje Real Calçados, em Cruz das Almas-BA. Aqui juntou-se à sua filha Luciene Ferreira e a Régis Moreira, que já administravam a loja.

Seguiram-se abraços! Cruz das Almas abraçou Ademir, que abraçou Cruz das Almas, onde fez grandes amizades e expandiu negócios. O mais recente deles, uma sociedade com outros empresários no loteamento “Caminho das Árvores”, localizado em área nobre de Cruz das Almas, cujos lotes foram totalmente vendidos em 24 horas.

A história de vida de Ademir Luiz Ferreira é uma lição para os que começam. Empreender não é fácil, exige adaptações, mudanças e sacrifícios. Por isso é que se torna importante mostrar a caminhada de vencedores. ADEMIR LUIZ FERREIRA é uma história de sucesso, um vencedor, um exemplo. Um mineiro que se tornou cruzalmense para orgulho de Cruz das Almas.

E por falar em REAL, um dia Pablo Picasso aconselhou um jovem: “Tudo que você puder imaginar é real!” Ademir parece ter escutado Picasso. Fez crescer a Real Calçados!

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