Obesidade cresce 54,5% na Bahia em dez anos, aponta levantamento do SUS

A proporção de adultos com obesidade acompanhados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), ferramenta vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), cresceu 54,5% na Bahia em dez anos. Atualmente, mais de 1,5 milhão de baianos apresentam excesso de peso, segundo dados divulgados pelo Map…

O cenário evidencia um desafio para a saúde pública: além de combater a fome, o estado precisa ampliar as ações de prevenção à obesidade e às doenças associadas ao excesso de peso.
As enfermidades relacionadas à obesidade, juntamente com o diabetes, representam quase metade dos cerca de oito mil atendimentos mensais realizados pelo Centro de Referência Estadual para Assistência ao Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba).
Alimentação de qualidade é parte do combate à fome
O debate sobre o tema também foi destaque no XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, realizado em Salvador. Durante o evento, a endocrinologista Fernanda Braga ressaltou que o enfrentamento da fome precisa estar associado ao acesso a alimentos de qualidade.
A médica chamou atenção para o consumo de produtos ultraprocessados, frequentemente presentes na alimentação de crianças e adolescentes. Segundo ela, alguns produtos comercializados como opções de frutas têm pouca relação com o alimento natural. “A caixinha de suco da criança o que menos tem é fruta”, afirmou.
O consumo frequente de ultraprocessados está associado a riscos à saúde e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas. Por isso, especialistas defendem políticas que facilitem o acesso a alimentos nutritivos e incentivem escolhas alimentares mais saudáveis.
Educação alimentar e políticas públicas
Entre as medidas apontadas para enfrentar o problema estão o fortalecimento da educação alimentar, a melhoria da rotulagem dos produtos, a regulamentação da publicidade direcionada ao público infantil e a ampliação da assistência oferecida pelo SUS.
A discussão também envolve programas de combate à fome, como o Bahia Sem Fome. A garantia de acesso à alimentação, segundo a abordagem defendida no congresso, deve considerar não apenas a quantidade de comida disponível, mas também seu valor nutricional.
O combate à fome e à obesidade, portanto, exige ações complementares para garantir à população o direito a uma alimentação adequada, com dignidade e qualidade de vida.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.














