Brasil

Baiana Neuza Maria Alves se torna primeira desembargadora federal negra do Brasil

A trajetória de Neuza Maria Alves da Silva, natural de Salvador, tornou-se um marco na história do Judiciário brasileiro ao romper barreiras sociais e raciais até alcançar o cargo de desembargadora federal. Filha de uma empregada doméstica analfabeta, ela saiu de um cortiço para se tornar, em 2004, a primeira mulher negra a ocupar essa posição no país.

A conquista ocorreu após uma carreira construída ao longo de décadas, marcada por dedicação à educação e à magistratura. Formada em Direito pela Universidade Federal da Bahia, Neuza se especializou em Direito Processual e Direitos Humanos. Antes de ingressar na magistratura federal, atuou como advogada por 13 anos.

Ao longo da carreira, ocupou cargos de destaque, como juíza do Trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, juíza federal titular da 5ª Vara Federal e vice-presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher. Também coordenou os Juizados Especiais Federais da 1ª Região e exerceu a vice-presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região entre 2014 e 2016.

A promoção ao cargo de desembargadora federal ocorreu por merecimento, quando passou a integrar o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Neuza permaneceu na magistratura por 30 anos, aposentando-se em 2017, período em que recebeu 21 homenagens, entre títulos e condecorações.

Em relatos sobre sua trajetória, a magistrada destaca a importância da autonomia e da firmeza diante de preconceitos. Segundo ela, manter uma postura altiva e respeitosa foi essencial para superar obstáculos em um ambiente historicamente excludente.

A dedicação à carreira também exigiu renúncias pessoais. Neuza relatou ter aberto mão de momentos familiares ao longo dos anos, especialmente após a mudança para Brasília, mas afirmou ter conseguido equilibrar, ao final, suas múltiplas funções.

Mesmo após a aposentadoria, segue sendo reconhecida em eventos jurídicos e institucionais, especialmente em iniciativas que valorizam o protagonismo feminino e negro, consolidando seu legado no serviço público brasileiro.

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