Reportagem expõe mensagens, festas e suposta atuação de Flávio Bolsonaro junto a ministro do STF: “prostitutas” e Rolex de R$ 300 mil
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) teria participado de festas privadas com garotas de programa organizadas pelo ex-sócio Alexandre Ferreira Dias Santini, segundo reportagem publicada pelo site PlatôBR nesta terça-feira (29). De acordo com a publicação, parte dos encontros teria ocorrido em hotéis de luxo no Rio de Janeiro, incluindo o Grand Hyatt, na Barra da Tijuca.

A reportagem afirma que Santini manteve mensagens, fotos, áudios e documentos relacionados aos encontros e teria usado esse material durante uma disputa financeira com Flávio. O conteúdo também relata episódios envolvendo presentes de alto valor, despesas pessoais e uma suposta atuação do senador em favor de interesses privados junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Festas privadas
Segundo o PlatôBR, Santini teria atuado durante anos na administração de despesas de Flávio e também organizado encontros privados com garotas de programa. A publicação afirma ter tido acesso a mensagens trocadas entre o ex-sócio e uma agenciadora no Rio de Janeiro para combinar encontros com a participação do senador e de outros amigos.
O site também relata que Santini guardou fotografias e outras mensagens relacionadas aos encontros. Parte desse material teria sido apresentada à mulher de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, durante o período de conflito entre os dois ex-sócios.
Ainda segundo a reportagem, após o episódio, Flávio teria enviado mensagens a Santini pedindo que ele se afastasse de sua mulher. Em uma das mensagens, o senador teria mencionado arrependimento por escolhas anteriores e afirmado que não pretendia repetir os mesmos erros com a família.
Disputa de R$ 1,4 milhão
O conflito entre Flávio e Santini teria se intensificado após o encerramento da sociedade em uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
De acordo com o PlatôBR, Santini alegava ter valores a receber do senador e, em 28 de setembro de 2023, enviou ao gabinete de Flávio uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão. O documento teria mencionado investimentos feitos na empresa e registrado que Flávio havia colocado R$ 200 mil em dinheiro vivo no negócio.
Durante a disputa, Santini também teria publicado mensagens nas redes sociais sugerindo que poderia revelar informações sobre o ex-sócio. Segundo a reportagem, advogados teriam sido acionados para tentar negociar um acordo financeiro.
Rolex de R$ 305 mil
Outro episódio citado pelo PlatôBR envolve um relógio Rolex Submariner Date, de ouro branco, comprado em Brasília em fevereiro de 2022.
Segundo a reportagem, o relógio custou R$ 305 mil e foi adquirido pelo advogado Alan Belaciano, amigo de Flávio. A nota fiscal teria sido emitida em nome do advogado, enquanto mensagens mantidas por Santini indicariam que o presente seria destinado ao senador.
A publicação também relata outros pagamentos de despesas pessoais de Flávio por pessoas próximas, incluindo equipamentos para uma academia instalada em sua residência e outros gastos.
Suposta atuação junto a ministro do STF
Outro ponto da reportagem envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Segundo o PlatôBR, Santini teria enviado uma mensagem a Flávio no fim de 2023 afirmando que o senador havia tratado diretamente com o ministro sobre os interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete de Nunes Marques.
O cliente seria representado por Alan Belaciano. Ainda de acordo com a reportagem, Santini teria mencionado a realização de um jantar na casa de Flávio para tratar do assunto, com a participação do chefe de gabinete do ministro. Posteriormente, Flávio e Santini teriam marcado uma reunião no gabinete do senador.
Questionado sobre o conteúdo divulgado pelo PlatôBR, Nunes Marques não negou que receba parlamentares para tratar de interesses relacionados a processos. Por meio de sua assessoria, o ministro afirmou que atende parlamentares de diferentes partidos e que esse tipo de contato é uma prática comum nos gabinetes do STF, sem representar prejuízo à isenção dos magistrados. Ele não respondeu especificamente se conversou com Flávio sobre o processo citado na reportagem.
A reportagem do PlatôBR não estabelece, por si só, comprovação independente de todas as alegações apresentadas a partir do material atribuído a Santini. As informações foram divulgadas pelo veículo com base nos documentos, mensagens, fotografias e relatos aos quais afirma ter tido acesso.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.















