
Território marcado pela força da resistência negra, pela cultura e pelos saberes ancestrais, o Recôncavo Baiano consolidou-se como um ambiente fértil onde influências históricas fortalecem e moldam elementos essenciais que se manifestam nas expressões afro-brasileiras, como a capoeira, o candomblé, o maculelê, o samba de roda e outras práticas que integram o patrimônio imaterial brasileiro.
Dona de uma ancestralidade viva e pulsante, a região será celebrada durante a sétima edição do Rede Capoeira – Heróis Populares – Edição Especial Recôncavo da Bahia, entre 16 e 18 de janeiro, em Santo Amaro e Cachoeira, reunindo mestres, capoeiristas e heróis populares da região, que dedicaram a vida à transmissão desses saberes às novas gerações. A abertura oficial do evento acontece às 9h, em Santo Amaro, mas um dos momentos mais emblemáticos será a homenagem e premiações aos mestres, dia 16 (sexta-feira) às 17:00, em Santo Amaro, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da presidenta da Funarte, Maria Marighella.
A 7ª edição do evento chega ao Recôncavo propondo um mergulho nas raízes do patrimônio imaterial brasileiro. Ao longo de dois dias, Santo Amaro e Cachoeira serão ocupadas por uma programação gratuita que inclui vivências com mestres, painéis, diálogos culturais, oficinas, palestras, rodas de capoeira e samba de roda, manifestações tradicionais, shows e homenagens. A solenidade de abertura acontece no dia 16 de janeiro (sexta-feira), na Câmara de Vereadores de Santo Amaro. No mesmo dia, em Cachoeira, acontece o momento mais aguardado do evento, que será a entrega do Troféu Sankofa.
Passado que constrói futuro – Criada pelo Rede Capoeira – Heróis Populares, a honraria reconhece mestres e mestras da cultura popular que dedicaram a vida à preservação e à transmissão dos saberes, reafirmando o papel do Recôncavo como território formador dessas expressões. Inspirado no ideograma africano Sankofa, representado por um pássaro que volta a cabeça para o passado para ressignificar o presente e construir o futuro, o troféu simboliza o reconhecimento daqueles que mantêm viva uma manifestação cultural brasileira de origem africana, especialmente ligada aos povos bantos.
Na edição de 2026, os oito homenageados serão: Mestre Bigo (Capoeira), Mestre Domingo Preto (Samba de Roda), Mestre Aurino (Samba de Roda), Mestre Ecinho (Samba de Roda), Mestra Maninha (Samba de Roda), Mestra Dona Dalva (Samba de Roda), Mestra Dona Rita da Barquinha (Samba de Roda) e Mestra Lindaura (Juíza Perpétua da Boa Morte).
Após a solenidade de premiação, o público acompanhará apresentações de manifestações culturais emblemáticas do Recôncavo, como maculelê, marujada e samba chula, reforçando a vitalidade e a permanência dessas expressões no território.
Além da entrega do Troféu Sankofa, a programação reunirá convidados especiais para enriquecer o segundo dia de atividades, compartilhando saberes construídos ao longo de décadas. Entre os nomes confirmados estão referências da capoeira nacional e internacional, como Mestre Peixe Cru, Mestre Maurão, Mestre Levi, Mestre Jogo de Dentro, Mestre Plínio, Mestre Adó, Mestra Nani de João Pequeno, Mestre Nenel e Mestre Bel. O evento também vai contar com importantes vozes da pesquisa e da intelectualidade negra, entre elas os historiadores Pedro Abib e Antônio Liberac, o poeta Jemes Martins e o pesquisador Mestre Lampião, ampliando o diálogo entre tradição, memória e produção contemporânea.
Programação– A programação traz momentos marcantes que evidenciam a força das tradições do Recôncavo. Um deles é a vivência com o Mestre Carcará, figura lendária da capoeira em Santo Amaro e referência na preservação da capoeiragem tradicional. Outro destaque é a Vivência de Samba de Roda com Mestra Dona Rita da Barquinha, sambadeira de Bom Jesus dos Pobres, nascida em Saubara, guardiã das tradições fluviais e religiosas da região e herdeira de saberes ancestrais que mantém viva a celebração das barquinhas.
A programação inclui ainda o painel “Os Capoeiras do Recôncavo”, que revisita mestres, linhagens e histórias que moldaram a capoeira baiana, além da Vivência de Maculelê com Mestre Valmir, representante da linhagem de grandes mestres do Maculelê, neto de Vivi de Popó e bisneto de Popó do Maculelê, figuras centrais na história da dança. Um dos momentos mais aguardados é o painel “Legado de Seu Pastinha: Capoeira é tudo que a boca come”, que marca o lançamento da autobiografia João Grande por ele mesmo, celebrando a trajetória de um dos maiores nomes vivos da capoeiragem mundial.
Estação Paranauê – Também integra a programação do dia 16 de janeiro a seletiva da Estação Paranauê, uma competição voltada à comunidade da capoeira que reunirá até 100 atletas da Bahia, de outros estados e de diversos países. Conduzida por um grupo de mestres avaliadores, a disputa selecionará dois capoeiristas que irão representar a Bahia na etapa internacional do Red Bull Paranauê, marcada para agosto. Além do caráter competitivo, a seletiva também terá caráter solidário, destinando o valor das inscrições ao apoio de mestres e guardiões mais antigos da capoeira, reforçando o compromisso coletivo com a preservação da cultura popular.
SERVIÇO
7ª Rede Capoeira – Heróis Populares – Edição Especial Recôncavo da Bahia
Quando: 16 a 18 de janeiro de 2026
Onde: Santo Amaro e Cachoeira
Foto: crédito: Leandro Kouri

Tâmile Conceição, é quilombola e jornalista em formação pela UFRB, apaixonada por contar histórias e mergulhar na rica cultura do Recôncavo. Compreendendo a importância do jornalismo para sua comunidade, prioriza a apuração em seu trabalho. Atualmente, produz conteúdo para site, Instagram e rádio, compartilhando a diversidade e a riqueza cultural da sua região. Vencedora do Prêmio Motezuma em Telejornalismo com a reportagem sobre o Coletivo das Artes da cidade de São Félix, é também criadora do radiodocumentário Santa Bárbara como Símbolo Cultural e Religioso em São Félix, que reflete sua dedicação à preservação da cultura, da história e das tradições do seu povo.



























