Investigação aponta suposto superfaturamento milionário de cachês artísticos pagos com verba pública na Bahia

Uma investigação da TV Bahia apontou a existência de um suposto esquema de superfaturamento de cachês artísticos pagos com recursos públicos na Bahia entre 2015 e 2024. A apuração identifica a atuação de produtoras de eventos, possíveis empresas de fachada e intermediários em contratos realizados pela Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur).
Segundo a reportagem, relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e notas fiscais indicam que artistas de pouca visibilidade eram contratados por valores muito superiores aos praticados no mercado. Em diversos casos analisados, os próprios artistas não teriam recebido integralmente os valores registrados nos contratos.
As investigações citam quatro produtoras que receberam, juntas, cerca de R$ 58 milhões em 641 pagamentos realizados entre 2023 e 2025. De acordo com a apuração, algumas dessas empresas compartilham endereço, e-mail e vínculos familiares entre os responsáveis, além de haver indícios da utilização de pessoas como “laranjas” em parte das operações.
Um dos citados na investigação, Alexsandro Sampaio, apontado como responsável por uma das produtoras, afirmou inicialmente que as empresas estavam ligadas à mesma família, mas posteriormente negou ter recebido os valores milionários atribuídos à companhia. Os relatórios do TCE também apontam irregularidades recorrentes, como falta de justificativa para os preços contratados, concentração de contratos nas mesmas empresas e uso questionável da inexigibilidade de licitação.
Entre os casos mencionados está o da cantora Emily Ferraz. Segundo a reportagem, apresentações privadas da artista eram negociadas por cerca de R$ 8 mil, enquanto shows contratados pelo governo chegaram a custar, em média, R$ 71 mil. Procurada, ela afirmou desconhecer qualquer pagamento com sobrepreço ou superfaturamento. Já o ex-diretor da Sufotur, Diogo Medrado, também citado na investigação, negou irregularidades nas contratações realizadas durante sua gestão.
As informações são fruto de uma investigação da TV Bahia divulgadas pelo G1.













