Reflexão Por: Ygor Coelho

Reflexão Por: Ygor Coelho

Uma história inspiradora: Drº ORLANDO PEIXOTO PEREIRA

Por: Ygor da Silva Coelho

Quando vejo um médico sênior, dedicado e reconhecido, sobretudo no interior,
penso em quantas vidas salvou, quantas crianças trouxe ao mundo, quantas dores aliviou, quantas lágrimas enxugou.

Formado pela centenária Faculdade de Medicina da Bahia no ano de 1956, Dr. ORLANDO
PEIXOTO PEREIRA faz parte da história da medicina tradicional baiana, quando o médico, além de curar as feridas, ouvia a família, visitava residências, dava conselhos e participava ativamente da sociedade.

Falo no envolvimento do médico com a sociedade e me transporto o ano 1974, quando
para casar na igreja católica era exigido um curso preparatório. Quais meus professores, durante uma semana de aulas? Exatamente o Dr. Orlando Pereira e sua esposa, Dona Alcina Antar Pereira.

Membro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Cruz das Almas, Diretor
de clubes sociais, um dos fundadores do Clube de Campo Laranjeira, agricultor e pecuarista, o tempo nunca lhe foi escasso, sempre pareceu correr mais pausado para o Dr. Orlando Pereira.

Nascido em Cachoeira-BA, foi adotado por Cruz das Almas e com orgulho costuma
citar as suas origens cachoeiranas.
Exercendo a medicina no interior, onde nem aparelho de raio-x havia, homens como
Dr. Orlando Pereira são heróis que colocam o coração e as razões humanitárias acima de todo interesse.

Seria mais confortável e seguro viver na capital, ou numa grande cidade, apoiado
na tecnologia e não no interior, onde se batia na porta do médico durante a madrugada para curar todo tipo de mal-estar. Não raro, obrigando-o a embrenhar-se pela Boca da Mata, Pumba, Embira… E muitas vezes trabalhando de graça, pois nem sempre o paciente
tinha condições financeiras para pagar consulta.

Mas o sacrifício profissional existe apenas para os que não amam o que fazem.
A vocação do Dr. Orlando Pereira o fazia atender com satisfação os chamamentos. Cuidar de vidas faz parte da sua essência, da sua natureza.

Enquanto escrevo, busco passagens da vida de Dr. Orlando Pereira e ouço o depoimento
da minha secretária:

  • “Meu pai vivia numa tristeza sem fim. A idade o deprimiu, nem a roça de laranjas
    e tangerinas em plena produção o animava. Saía da cama para a rede, da rede de volta para o quarto. Chamamos Dr. Orlando que nada lhe receitou, aplicou-lhe um abraço, palavras incentivadoras e de carinho. A “injeção” que lhe deu foi na alma e o remédio eficaz.
    Mudou o meu pai! O melhor médico é o que inspira esperança.”

O privilégio de ser conterrâneo do Dr. Orlando Peixoto Pereira, a satisfação
de ver o exemplo e a beleza da sua vida pessoal, ao lado da saudosa esposa, Dona Alcina Antar Pereira e familiares, levaram-me a escrever essas linhas.

Histórias assim inspiradoras merecem ser escritas! E repetidas pelos que nos
sucedem.

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Geral Reflexão Por: Ygor Coelho

Reflexão por Ygor da Silva Coelho – SILVANA ANTAR: Se todos fossem iguais a você…

Acabei o giro pela cidade na minha caminhada matinal. Já não me surpreende o mato no passeio do professor, o lixo na porta do cientista, o entulho na calçada do político que já correu o mundo e parece que não assimilou nada lá fora.

-Lixo virou hábito, uma questão cultural!  Assim tenta explicar-me um “erudito” de plantão…

Mas mantenho a rotina das caminhadas, tirando a vista dos maus hábitos e me concentrando no que há de belo. É quando me defronto com o terreno de Silvana Antar. Poderia ser apenas um lote vazio, cercado por um muro. No entanto, ela fez do muro um poema. Construiu com tijolinhos à vista, pintou um detalhe com cor vibrante, fez um canteiro de flores na frente, o desenho de um regador, no portão cresce uma guirlanda e por detrás pitangueiras florescem.

Algumas ruas adiante, já próximo à Catedral, outra iniciativa me surpreende pela beleza: Sombrinhas multicoloridas enfeitam o céu e a calçada de um restaurante.

É por atitudes assim que a gente se apaixona por cidades como Gramado-RS, Joinville-SC, Monte Verde-MG, dentre outras. Por lá vemos samambaias, orquídeas e hortênsias penduradas nos postes  de iluminação.

Enquanto caminho relembro que quando cheguei a Cruz das Almas a população era de pouco mais de 20 mil habitantes. Embora menino, procedente das terras do cacau, senti na cidade um ar aristocrático, resultado da educação e da influência universitária, razões da minha vinda.

O crescimento mudou Cruz das Almas. Hoje se aproximando dos 80 mil habitantes, a cidade ganhou movimento, comércio dinâmico, clínicas, escolas, novas faculdades e gente nova. Por outro lado, perdeu clubes, cinemas, um antigo charme “Belle Époque”, tranquilidade e tudo mais que caracteriza uma cidade grande.

O tempo passa, a economia é competitiva, e Cruz das Almas ainda precisa vencer barreiras, desenvolver seu potencial, inclusive turístico.

É por isso que, quando vemos atos de amor e de cidadania, como vi hoje, cresce a nossa capacidade de acreditar e de sonhar.

Que cada munícipe seja um agente, um protetor desse outrora paraíso, semeando ações, plantando flores, colhendo admiração.

Parabéns, Silvana Antar! Ah, se todos fossem iguais a você! A cidade seria outra!

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Cruz das Almas: Entre flores e espinhos!

Por: Ygor da Silva Coelho

Voltava ontem em passo apressado do centro da cidade para casa. Ao chegar, passei a me perguntar porque ultimamente volto às pressas para casa? Não foi difícil chegar à conclusão que a cidade vem perdendo a sua poesia, os atrativos, a cordialidade, o prazer de nela caminhar.

Sofro ao dizer isso, sou cruzalmense de coração, amo a cidade que me adotou, que me deu conforto, bens e me possibilitou constituir família.

Mas sofro porque não “passo batido”, indiferente ao coletivo, como muitos que chegaram apenas para usufruir, estudar, ganhar dinheiro. No grupo dos indiferentes há os que não foram lapidados com lições de amor e não assimilam que cuidando e zelando tornariam Cruz das Almas ainda mais bela, essa cidade que foi projetada para ser encantadora.

No meu habitual roteiro sou obrigado a descer do passeio em frente à casa de um empresário que aqui se estabeleceu. A cidade natal do empresário, no sul do país, é um brinco, é atração turística, visitada por milhares de brasileiros. Mas vivendo na Cruz das Almas que o acolheu, nem o passeio ele recupera. Se fosse no seu “sul maravilha” ele deixaria a sua calçada do jeito como aqui está?

Não é fácil entender certas razões comportamentais! Embora rica e culta, o que torna a pessoa incapaz de enxergar que um pedestre pode se acidentar gravemente na sua porta e por sua culpa? Estou falando de um empresário, mas o perfil se encaixa em políticos locais e outros que se consideram VIPs, mas deixam entulho na porta, sem se envergonhar do feio cartão de visita.

Uma faxina geral é necessária. Em toda cidade há placas desbotadas pelo tempo, fiações dependuradas, restos de construções e propagandas das eleições de seis meses atrás permanecem em postes e paredes.

A manutenção da praça principal, já dita como a mais BELA do interior da Bahia, está esquecida. A exuberante Mata de Cazuzinha sofre invasões e danos.

Procuro me encantar cada vez que saio. A regra para encontrar a felicidade na vida é se encantar com algo a cada dia. Mas caminhando pela minha querida cidade o encantamento não está fácil. Hoje, mais uma vez, tentei tirar uma foto da Catedral, recentemente pintada com a core azul do manto de Nossa Senhora, mas foi impossível. Camionetes e “topics” tomavam a frente da nossa mais antiga construção.

A feira municipal, invejável patrimônio econômico e cultural, necessita de mais zelo.
O caótico trânsito precisa ser respeitado, os estacionamentos racionalizados.

O mundo é competitivo, as cidades se organizam, disputam prestígio e novas fontes de renda. É inegável que houve progresso em Cruz das Almas nos últimos anos. Mas é preciso acelerar o ritmo, ganhar posições no ranking das cidades mais ricas do Estado da Bahia.

Potencial temos, como poucas cidades possuem! Temos ciência, conhecimentos, instituições federais, infraestrutura, localização privilegiada e exemplos dignificantes de muitos que nos antecederam. Esses são quesitos capazes de tornar Cruz das Almas um grande centro. Um dos maiores!

Prevalecendo a união e o bom-senso não seria fácil outras cidades nos alcançarem. Mas, se não pensarmos grande, se não sonharmos alto, é óbvio que seremos ultrapassados.

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Se a minha Rua Leonel falasse…

Ygor da Silva Coelho

“Se a Rua Beale falasse” é o título de um premiado filme, que me levou a pensar: E “se a minha Rua
Leonel falasse?” Acho que ela falaria de tempos passados e de saudades.

A Leonel não era ainda rua, apenas uma transversal aberta no quintal do saudoso Dr. Ramiro Passos,
quando me interessei por um lote na área. A palmeira imperial, alta e imponente na esquina, inspirou o seu primeiro nome, Rua da Palmeira, esquecido ao ser batizada como Leonel Ribas.

Estudei detalhadamente antes de comprar o lote, onde planejava construir a minha casa:

-É nascente, Dr. Ramiro?
-Nascente!
-Divide o pagamento?
-Quer pagar em quantas vezes?

Sabendo da simpatia dele pelos que começavam na vida…

-O Senhor é quem vai dizer!

Assim, paguei suavemente o lote naquela que viria a ser a melhor rua da cidade. Hoje nem tanto!

“Se a Rua Leonel falasse” lembraria do som clássico do piano de Anália, das histórias de Sr. Bartolomeu,
quando era motorneiro dos bondes elétricos em Salvador, da alegria contagiante de Zilma Martins, da poesia e da bondade de Luciano Passos, da festividade de Célia Lolata, da elegância de Dona Valmira Borges…

Os citados são vizinhos inesquecíveis, que nos deixaram para morar noutro plano. Os que na Leonel
hoje vivem, Graças a Deus firmes e fortes, são muitos e citá-los prolongaria o texto.

E os que habitaram na Leonel em tempos passados lá do alto, certamente, observam as mudanças nos hábitos.

Valmira Borges de Carvalho, por ter sido a matriarca da Leonel, é quem mais deve ficar surpresa com
as mudanças. Alta, magra, atenciosa, elegante, Valmira vinha de família tradicional, linhagem antiga da cidade de Conceição do Almeida-BA, quando era ainda chamada de Afonso Pena.

Era bonito ver a elegância de Valmira, a tradição estampada no brasão e monogramas dos seus pratos
e toalhas. Nunca se ouvia Valmira chamar uma funcionária. Tinha à mesa e próximo a si uma sineta. Era o tilintar que se ouvia na hora do almoço, lanche ou jantar.

A minha consideração por Dona Valmira Borges era intensa e eu não a considerava apenas uma amiga ou
vizinha. Tinha-lhe como uma segunda mãe, um espelho de elegância e de sobriedade. Nunca lhe disse, mas ela notava, meus olhos falavam.

Se nunca lhe disse sobre o sentimento que tinha, repetia para o seu filho, o meu colega José Eduardo
Borges de Carvalho:

  • Dona Valmira é uma segunda mãe para mim!
  • Sei disso! E ela também sabe!

Aos poucos, a evolução do mundo físico para virtual alterou também hábitos na Leonel. Já não se pede
ao vizinho um punhado de açúcar. Há o delivery. Já não se pede para fazer um telefonema. Há os celulares. Já não se coloca cadeira na porta. Há ladrões.

Os jantares às sextas-feiras, do tipo “cada um leva seu prato”, há muito deixou de ocorrer. As estradas
encurtaram distâncias e os finais de semana são na Ilha de Itaparica, em Salvador, na Chapada Diamantina ou na fazenda.

“Se a Rua Leonel falasse…” Acredito que ela diria ter saudade das pessoas queridas, dos casos engraçados,
das portas abertas, dos muros baixos, da solidariedade, da familiaridade, dos meninos jogando bola na rua… Ah, saudade é muita coisa! Saudade é tanta coisa que, “se a Rua Leonel falasse”, embora seja uma rua pequena, preencheria páginas e páginas.

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Reflexão Por: Ygor Coelho

Histórias de Sucesso: JOSÉ CAETANO SILVEIRA

Por: Ygor da Silva Coelho

Na lista das grandes e premiadas publicidades de anos passados está aquela com uma guria dizendo: – Do primeiro Valisière a gente nunca esquece! E hoje, eu já homem aposentado, digo: – Da primeira camisa Lacoste a gente nunca esquece…

A Lacoste atualmente só se vê em shoppings, mas naquele tempo era na Sacy Modas de Cruz das Almas-BA que a gente comprava.

Pense numa grife dos anos 70, 80,90… Company? Lee? Lewis? Fórum? Dijon? A Sacy de JOSÉ CAETANO SILVEIRA tinha. José viajava continuamente para o São Paulo Fashion Week, ou o desfile que houvesse no sul do país, e vinha recheado de novidades. Às vezes acompanhado das modelos para desfilar com as peças famosas em sua loja, no Cruz das Almas Clube, no Clube Laranjeira ou na AABB. Na época, quem fazia a publicidade da Dijon era a modelo Luiza Brunet.

Há quem diga que José, certa feita, trouxe a “top model” Luiza Brunet a Cruz das Almas. Isso não posso afirmar, mas garotas da agência Ford Models (não é agência de carros, mas que máquinas!) ele trouxe. E as garotas da Ford Models desfilavam com as roupas que iam vestir a sociedade cruzalmense. Ricos, pobres e estudantes, no Natal, no Ano Novo, nos bailes, nas formaturas, no verão e no inverno.

A desenvoltura de José Caetano no mundo da moda era impressionante, sempre assessorado por Stela Bloisi Silveira, sua esposa. Mesmo tendo como clientela um universo pequeno, numa Cruz das Almas de 20 ou 30 mil habitantes, José Caetano sobressaiu e abriu filiais em Salvador (Shopping Itaigara), em Itabuna e Santo Antônio de Jesus… Eu sempre disse e repito, se a Sacy Modas estivesse num grande centro, Rio de Janeiro ou São Paulo, cresceria até se tornar uma Renner ou Magazine Luiza-Magalu.

Os gênios costumam ser meio “malucos”. Se não for meio “maluco”, não é gênio. No bom sentido, evidentemente. Num dado fim de semana, fomos surpreendidos com carros de som e os meios de comunicação veiculando uma publicidade incomum. O fundo musical era apropriado, com Raul Seixas:

“Enquanto você se esforça pra ser / Um sujeito normal e fazer tudo igual…”

Era José Caetano anunciando algo completamente desigual! Diferente de tudo que já se havia visto, anunciava a inauguração de uma loja chamada “A Louca”, rivalizando com a sua própria Sacy Modas. Preços imbatíveis! E “A Louca” enlouqueceu as pessoas de Cruz das Almas e das cidades vizinhas que fizeram fila para comprar lançamentos por preços de fábrica.

José Caetano é um homem de bom gosto. Na sua loja era também um orientador:

  • José, vou a uma festa de debutantes, o que devo vestir?

E um outro…

  • José, vou casar, qual terno me sugere? E o cliente saía todo elegante com o seu Armani e um boleto do Crediário Sacy!
  • Vou casar já com essa dívida, Zé?
  • Mas que ficou bonito, ficou! Será o casamento mais bonito do ano! Coisa fina! E, saiba, depois que casar verá que o Armani foi o compromisso mais barato!

Hoje, JOSÉ CAETANO SILVEIRA é um empresário aposentado, com muitas histórias para contar. Histórias que construiu na sua dinâmica vida empresarial em Cruz das Almas.

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