Um dos assuntos mais comentados na Bahia tem sido o resultado do último censo do IBGE, que mostrou queda populacional em Salvador. A capital baiana perdeu cerca de 257 mil habitantes, foi a cidade brasileira com maior redução, sendo ultrapassada por Brasília e Fortaleza. Quais as razões?
Salvador tem perdido atrativos, indústrias, segurança, serviços. E muitos migram, em busca de emprego e qualidade de vida.
Vivendo numa pequena cidade, cheia de atrativos, mas não devidamente valorizados, vejo que o risco do que ocorre em Salvador pode se repetir no interior. Cruz das Almas, a 150 quilômetros da capital, ostenta o título de Cidade Universitária e pelas instituições federais que possui, dinamismo e beleza poderia ser um porto seguro econômico e sociocultural. Mas não é bem assim.
Uma caminhada pelas ruas mostra a falta de cuidado com a cidade, estampada pelos quatro cantos.
Enquanto caminho, vejo uma casa digna de tombamento, marca de uma época e que, num centro desenvolvido, estaria embelezando a artéria onde se localiza. Aqui está parcialmente escondida por barracas e trapos permanentes à sua frente.
É uma casa típica de meados do século passado, estilo californiano, que se fez muito presente em Cruz das Almas, talvez por influência de um engenheiro que veio à cidade prestar serviço no Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Leste. Aqui estando, elaborou diversos projetos de residências, hoje já descaracterizadas ou demolidas.
O mesmo estilo californiano se observa da Embrapa, no antigo IBF-Instituto Bahiano do Fumo e em residências da Universidade: varanda, telhado inclinado, linhas curvas, pedras brutas enfeitando as paredes externas e mosaicos frontais.
Uma residência estilo californiano é raridade e por ser bem projetada oferece conforto e é vista como requinte.
Dignas de admiração pelos seus traços delicados, as poucas existentes deveriam estar à vista dos olhos que se deixam fascinar pelo belo. E não cobertas por barracas, como um exemplar nas proximidades da feira municipal.
Sem importar o tamanho, qualquer cidade que vise um futuro promissor deve se incluir no conceito de “cidade inteligente”, adotando um planejamento no qual a imagem, a história e a beleza sejam preservadas e vistas.
É possível reverter o quadro. Essa semana tivemos a inauguração de um belo Memorial Católico, obra da prefeitura municipal. Que se repitam ações assim! E que se cuide do belo existente!
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