Prefeito de Cruz das Almas responsabiliza oposição, mas arrecadação de R$ 230 milhões levanta questionamentos sobre crise
O prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro, usou as redes sociais para rebater as críticas da oposição às demissões e aos cortes anunciados pela Prefeitura. Em nova manifestação, nesta sexta-feira (30), afirmou que os adversários representam o atraso e classificou as medidas como ajustes temporários e necessários para equilibrar as contas municipais.

A resposta, porém, não esclarece uma das principais questões levantadas pelo debate: por que a administração anuncia cortes e exonerações depois de registrar R$ 230,69 milhões em receitas correntes entre janeiro e outubro de 2026?
Os números do próprio levantamento financeiro mostram que o município recebeu R$ 196,61 milhões em transferências e arrecadou R$ 34,07 milhões em receitas próprias. Somente em setembro, o repasse do FPM chegou a R$ 9,13 milhões. O balanço também registra R$ 8,5 milhões em operações de crédito no período.
O anúncio das medidas ocorre logo após as eleições de 2026, nas quais os candidatos apoiados politicamente pelo prefeito foram derrotados nas disputas em Cruz das Almas. ACM Neto perdeu a votação para governador no município, enquanto Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula na disputa presidencial.
Ednaldo afirma que os cortes são necessários e cita dificuldades financeiras, além de mais de R$ 20 milhões em emendas federais pendentes de pagamento.
A arrecadação elevada, por si só, não significa dinheiro livre em caixa, mas os números tornam indispensável uma explicação detalhada sobre as contas públicas, as despesas e os motivos que levaram a gestão a atingir os trabalhadores.
Enquanto o prefeito afirma que a oposição apenas fala, servidores e população aguardam respostas sobre o custo das medidas e o impacto das demissões nas famílias de Cruz das Almas.
















