Brasil

Lula defende soberania nacional e critica ingerência externa em discurso na ONU

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22).

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Na fala, Lula colocou o multilateralismo e a soberania no centro do debate e criticou o que classificou como ingerências externas e investidas neocoloniais. A 81ª sessão da Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros da ONU.

Segundo o presidente, o Brasil deve buscar parceiros com agendas voltadas ao desenvolvimento. Ele também afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos e disse que a democracia voltou a sofrer interferências externas em processos eleitorais.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou.

Ao final do discurso, Lula voltou a abordar o tema e disse que o Brasil continuará sendo um país soberano.

“E ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.

Combate ao crime organizado

Lula também defendeu a soberania dos países latino-americanos no combate ao crime organizado. Segundo o presidente, o Brasil não precisa de presença militar estrangeira para proteger suas fronteiras e águas, mas de cooperação internacional para combater o fluxo de armas e dinheiro destinado às organizações criminosas.

Ele afirmou que essa foi a proposta apresentada pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos.

“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, disse.

Pressões sobre o Pix

Durante o discurso, o presidente também afirmou que o Brasil não irá ceder, segundo ele, a pressões de empresas estrangeiras sobre o Pix. Lula defendeu a manutenção do sistema como uma infraestrutura pública de pagamentos.

“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras”, afirmou.

Críticas à atuação da ONU

Lula criticou ainda a atuação da ONU diante dos conflitos internacionais e defendeu uma reforma completa do Conselho de Segurança. Para o presidente, o órgão está paralisado e perdeu capacidade de proteger populações vulneráveis.

“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, declarou.

Defesa ambiental

Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução de emissões e preservação ambiental. O presidente defendeu a redução do desmatamento e o uso sustentável dos recursos naturais.

Ele também citou a exploração da Margem Equatorial e de terras raras necessárias à transição energética. Segundo Lula, as riquezas brasileiras pertencem à população e devem ser utilizadas em benefício do país.

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