Reflexão Por: Ygor Coelho

ITALIANOS EM CRUZ DAS ALMAS

Parte 1

Por: Ygor da Silva Coelho

Depois de descrever a chegada e HISTÓRIA DE ISRAELITAS em Cruz das Almas, centrada na família da professora Tillie e do professor Moysés Waxman, o atual texto enfoca a COMUNIDADE ITALIANA na nossa cidade.

Os italianos foram mais numerosos e anteriores aos israelitas. O italiano Vicente Alfano, que nos deixou em 2012, aos 102 anos de idade, tinha satisfação em contar a sua longa e rica história, cujos detalhes guardava nítidos na memória. O sotaque do Sul da Itália, um dos traços da sua conversa, ele carregou ao longo da vida, até partir, aos 102 anos de idade.

Era uma satisfação conversar com Vicente Alfano. Nascido em Lagonegro, saiu de Nápoles em 28 de agosto de 1935. O navio em que veio fez escalas em Gênova, Recife e Salvador. Na capital baiana, tomou o navio da CNB- Companhia de Navegação Baiana – e viajou pelo Rio Paraguassu até Cachoeira, encantado com a paisagem e a exuberância verde, diferente de tudo que havia visto na vida. Tinha na época 25 anos de idade.

De Cachoeira, seguiu de carro até Cruz das Almas ao encontro do irmão Pascoal Alfano e do casal de tios comerciantes aqui residentes.

Pascoal havia chegado em 1915, um ano após o início da Primeira Guerra Mundial, numa sofrida viagem, ainda em barco a vapor. Naqueles anos a Europa vivia em crise e o governo brasileiro estimulava a imigração.

Por mais distante no tempo que possa parecer a chegada dos Alfanos, já se encontravam aqui conterrâneos como Leopoldo Cezarano, João de Calucci, (Giovanni Calucci), Francesco Paolo Chiacchio, Paolo e Julio Gallotti. À exceção de Francesco Paolo que era alfaiate, os demais foram negociantes, que, viajando por diferentes cidades, viram futuro na Cruz das Almas que emergia e se estabeleceram na cidade.

A imigração italiana no Brasil foi intensa entre 1880 e 1930, período que coincide com a chegada dos italianos na Bahia.

Pelo muito que contribuíram, para nossa honra, podemos chamá-los de ítalo-cruzalmenses. Eram homens empreendedores que abriram comércio, construíram suas residências e deram suas contribuições para o desenvolvimento do local, caracterizado pela existência de uma cruz onde paravam os viajantes para orar, daí resultando o nome: Cruz das Almas.

Todos constituíram famílias, cujos descendentes permanecem imbuídos do sentimento de desenvolver Cruz das Almas. Casado com Dona Maria José Alfano, o Sr. Vicente teve três filhas: Rosa, Valéria e Ângela. Do casamento anterior, Agnese e Giovanni, tendo o primogênito falecido precocemente.

No próximo capítulo, as iniciativas dos italianos em nossa cidade, seus descendentes e as transformações no decorrer do século passado.

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