De cada dez carros produzidos no Brasil, nove são flex, o que amplia as oportunidades para a cadeia de biodiesel no país
A inserção da agricultura familiar no processo de transição energética no Brasil voltou a ser defendida nesta sexta-feira (4/4) pelo coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, durante entrevista à TV 247. Segundo ele, de cada dez carros produzidos no Brasil, nove são flex, e a grande aposta da sustentabilidade é a participação da agricultura familiar na cadeia de biodiesel.
“Vamos participar dos debates na COP 30, em novembro. Para a FUP é fundamental debater exaustivamente esse tema para garantir uma transição energética justa que garanta os direitos das comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e povos tradicionais, que têm sabedoria acumulada há séculos e que ajudam a conciliar a preservação das florestas com o cultivo de outras plantas oleaginosas”, defendeu Bacelar, que é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo Lula.
Ele destacou a participação da presidente do Sindipetro do Rio Grande do Sul, Miriam Cabreira, que tem ajudado a ampliar essa discussão em todos os cantos do país. Durante participação no Fórum Nacional da Transição Energética, a FUP foi veemente na defesa de uma transição energética participativa justa, que envolva os trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar.
“Estamos fazendo uma crítica construtiva à diretoria de transição energética da Petrobras que ainda não estabeleceu um diálogo maior com os movimentos campesinos e com as organizações que trabalham diretamente com os agricultores familiares. Não podemos em hipótese alguma admitir que os biocombustíveis sejam produzidos no Brasil sem a participação da agricultura familiar”, destacou Bacelar.
Atualmente o biodiesel pode ser produzido a partir de várias fontes, como soja ou milho, o que permite a reutilização de subprodutos que agregam valor ao setor. A produção de etanol pode ser feita por agricultores familiares por meio de microdestilarias e a Lei do Combustível do Futuro incentiva a produção de biocombustíveis, como o etanol, para promover a descarbonização da matriz de transportes.
Outra fonte de energia é a biomassa, composta por resíduos como bagaço de cana-de-açúcar, restos de madeira, cascas de arroz e resíduos florestais, que pode ser utilizada para gerar energia térmica e elétrica. Segundo a FUP, a agricultura familiar também contribui para a segurança alimentar do país, ao colaborar com o consumo interno e alimentar das cadeias locais e regionais de produção e distribuição de alimentos.
“A inclusão da agricultura familiar na cadeia do biodiesel no Brasil é uma exigência histórica para que não se repita o que ocorreu no país quando foi criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), em 1975, quando os chamados “boias-frias” foram obrigados a trabalhar em condições precárias de trabalho, análogas à escravidão”.
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