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“Precisamos promover a transição energética no paísse quisermos garantir a segurança alimentar da população”, diz Deyvid Bacelar

Representando o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) do governo Lula, durante o Seminário Cultura e Meio Ambiente, na Ilha de Boipeba, no município de Cairu, a 85 quilômetros de Salvador, o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, disse na última sexta-feira (28/3) que é preciso ampliar o debate sobre a transição energética toda vez que quisermos discutir a questão da segurança alimentar da população brasileira. “Comida é a primeira forma de energia. Sem comida e sem água, a gente não vive. Mas é preciso saber que os desafios da segurança alimentar e da segurança energética andam juntos”, destacou Bacelar.

Para ele, a privatização da Petrobras Distribuidora (BR), da Liquigás, além do fechamento das fábricas de fertilizantes – as chamadas Fafens, de Camaçari (BA) e de Laranjeiras (SE) –, impactaram fortemente a segurança alimentar. “O país perdeu o controle dos preços de distribuição e revenda de derivados estratégicos, como o GLP, gasolina e diesel, além de termos aumentado a dependência de fertilizantes do mercado externo. Por isso a Petrobras terá um papel fundamental no fomento da transição energética, retomando esses ativos”, observou.
Para Bacelar, a crise climática é um fenômeno crítico de nosso tempo, que afeta a produção de alimentos. “Precisamos implementar com celeridade políticas públicas e iniciativas de promoção da transição energética e descarbonização da matriz energética brasileira”, defendeu Bacelar. Ele lembrou que a Petrobras tem realizado parcerias importantes com algumas empresas brasileiras e estrangeiras com o objetivo de realizar a captura, transporte e armazenamento do CO2, contribuindo decisivamente para a redução dos males do efeito estufa.

Deyvid Bacelar foi um dos convidados palestrantes da segunda etapa do projeto “Outras Florestas”, promovido pela ONG Contato, em parceria com a Fundação Banco do Brasil. Vários gestores públicos foram convidados para participar do evento, como representantes de Petrobras, do governo da Bahia e da prefeitura de Cairu, além de integrantes da sociedade civil, como comunidades indígenas e quilombolas.
“Moreré, aqui na Ilha de Boipeba, é uma terra rica em biodiversidade e força popular. Precisamos garantir que as compensações socioambientais da exploração do gás em Manati — que são direito da população — cheguem de verdade a quem vive aqui”, frisou Bacelar.
“É cada vez mais importante ouvir a comunidade, valorizar as organizações locais e exigir responsabilidade social das grandes empresas que atuam na região”, acrescentou o conselheiro de Lula. “Acompanhamos de perto a chegada de uma solução prática para o lixo de vidro na ilha — um equipamento que vai permitir triturar e reaproveitar o resíduo, resultado direto de um projeto coletivo. E seguimos defendendo uma transição energética justa, com protagonismo das comunidades, valorização da economia solidária e respeito ao meio ambiente”.
A ideia do projeto é que o debate seja inserido numa grande articulação que envolve atividades de pesquisa, formação, intercâmbio de tecnologias sociais e implementação de ações estruturantes entre três territórios do país – além de Cairu, integram o projeto as cidades de Marechal Thaumaturgo, no Acre, e a capital mineira Belo Horizonte.

O seminário foi encerrado no domingo na sede da Nossa OKA, na praia de Moreré (em Boipeba). Desde a sexta-feira foram abordados temas como “Inclusão e Tecnologias Sociais no Combate à Fome”, “Meio Ambiente e Cultura no Brasil – Desafios e Oportunidades” e “O Futuro do Planeta e a Cultura Indígena no Brasil”.

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