Cruz das Almas

Saiba quem é Dona Fulô, a cruzalmense que virou símbolo de resistência no Carnaval de São Paulo

A história de Dona Fulô, homenageada no desfile da Império de Casa Verde no Sambódromo do Anhembi, ganhou repercussão nacional, mas já vinha sendo preservada em Cruz das Almas há quase uma década. Segundo o diretor do O Almanaque Cruzalmense, Edisandro Barbosa Bingre, a página publica conteúdos sobre Dona Fulô desde 2016, mantendo viva a memória de uma das personagens mais emblemáticas da história local.

Sobre Dona Fulô

Florinda Anna do Nascimento nascida em 1827, na Fazenda Bom Sucesso, propriedade do coronel Joaquim Ignácio Ribeiro dos Santos e de Anna Maria do Nascimento, foi criada como escravizada e passou a infância e a juventude sob o regime da escravidão em Cruz das Almas. Já adulta, mudou-se para Salvador, onde foi morar na casa do médico José Joaquim Ribeiro dos Santos, filho dos antigos proprietários da fazenda.

Com a morte precoce da esposa do médico, Florinda assumiu a criação dos filhos do viúvo, exercendo função semelhante à de mãe preta, figura comum nas famílias senhoriais da época. Alforriada, Florinda recebeu o sobrenome da antiga senhora, prática recorrente entre libertos no Brasil do século XIX.

Em reconhecimento aos serviços prestados, o coronel Joaquim Ignácio deixou em testamento a quantia de 500 mil réis para Florinda. Após a morte do médico, em 1911, ela continuou ligada à família, passando a viver com uma das filhas que ajudou a criar e acompanhando gerações seguintes.

Dona Fulô faleceu em 1931, aos 104 anos. No registro de óbito, foi tratada como “Dona”, título reservado a mulheres de prestígio social. Está sepultada no mausoléu da família Ribeiro dos Santos, no Cemitério do Campo Santo, em Salvador.

Sua imagem integra o acervo da Fundação Pierre Verger e ilustra a capa do livro As Sinhás Pretas da Bahia, de Antônio Risério. A trajetória de Florinda também dialoga com a história das negras de ganho e das crioulas urbanas, mulheres que transformaram joias, balangandãs e adornos em reserva financeira, identidade cultural e instrumento de liberdade.

Mais que personagem de enredo, Dona Fulô representa resistência, memória e ancestralidade. Um nome de Cruz das Almas que atravessou séculos e, agora, o país inteiro.

Foto: Divulgação

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