Recôncavo: ex-prefeitos Ito e Thiancle lideram processo de regulamentação das espadas de fogo

A queima de espadas voltou ao centro do debate no Recôncavo baiano. Em Conceição do Almeida, dois ex-prefeitos se uniram em defesa da tradição: Ito de Bega, figura conhecida na cidade, e Thiancle Araújo, ex-prefeito de Castro Alves. Juntos, eles têm dado voz ao movimento que pede a regulamentação da prática, considerada por muitos como um símbolo cultural da região, enquanto outros a enxergam como uma atividade ilegal e perigosa.
Ontem, Ito mais uma vez assumiu a organização da tradicional queima de espadas na cidade. Com apoio da prefeita Renata Souza, a estrutura foi montada em uma arena especial para receber espadeiros e visitantes ao longo de todo o domingo. O evento teve feijoada, segurança e uma programação que se estendeu das 10h às 22h. Nas redes sociais, o ex-prefeito celebrou a realização da festa e agradeceu à gestão municipal por permitir a continuidade da tradição.
“Foi a maior festa de espadas de todos os tempos. Agradeço à prefeita Renata, que nos permitiu mais uma vez promover esse evento para manter viva a cultura e a tradição do nosso município”, disse Ito, reforçando a importância de preservar com responsabilidade o legado cultural da cidade.
Thiancle Araújo participou do evento e fez um discurso firme em defesa da regulamentação das espadas de fogo. Segundo ele, desde 2010 os espadeiros vêm sendo enquadrados com base no Estatuto do Desarmamento, sendo presos e tratados como criminosos. Para Thiancle, isso representa um equívoco jurídico e cultural.
“Espada não é arma, é cultura. É tradição, é arte. Assim como a vaquejada foi reconhecida por emenda constitucional, a queima de espadas também precisa ser protegida. O artigo 215 da Constituição já garante isso. Em Conceição do Almeida há estrutura, ambulância, equipe de socorro, espadeiros com equipamento de proteção. Dá para conciliar segurança com cultura. E mais, isso gera emprego e renda”, afirmou.

Em recente declaração, o atual prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro, adotou um tom mais cauteloso ao comentar o tema. Diferentemente dos seus ex-colegas, ele foi comedido e destacou a responsabilidade individual de quem insiste em praticar a queima.
“Eu gosto de ser um homem da lei, e vou continuar pensando que é proibido. A gente sabe que tem aqueles que têm vontade de tocar, e se tocarem, que assumam a responsabilidade. Não é só disparar nas ruas. Pode estar com a espada na mão, mas tem que saber que está sendo vigiado. A justiça está aí. Eu não posso incentivar ninguém. Quem for tocar, que tenha muita responsabilidade. Eu mesmo já tive que intervir em casos de prisão porque a lei tem que ser cumprida”, declarou Ednaldo.
O contraste entre os discursos revela diferentes leituras sobre a prática e sua permanência nas festas juninas do Recôncavo. Enquanto uns clamam por reconhecimento legal e veem nas espadas um pilar da cultura regional, outros optam pela cautela diante das implicações jurídicas. A discussão segue viva, dividindo opiniões, mas fortalecendo o debate público sobre identidade cultural, segurança e limites da legislação.

André Eloy é político, apaixonado por comunicação, idealizador e fundador do JornalZero75. Escreve e compartilha opiniões no site, com olhar crítico, linguagem direta e compromisso com a informação de qualidade.





























