Bahia

Operação Rodovida 2025/2026 registra 103 mortes nas rodovias federais da Bahia

A Operação Rodovida 2025/2026 mobilizou, nas rodovias federais da Bahia, uma ampla estrutura de fiscalização, prevenção e enfrentamento à criminalidade durante o período de maior fluxo do ano. Coordenada pela Polícia Rodoviária Federal, a iniciativa integra o maior programa de segurança viária do país e articula ações estratégicas voltadas à redução da letalidade no trânsito, ao combate às principais causas de sinistros e ao fortalecimento da presença institucional nas estradas.

Inserida nas diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), alinhado às metas da Organização das Nações Unidas (ONU), a operação tem como objetivo reduzir em pelo menos 50% o número de mortes no trânsito até 2030. Na prática, isso significa planejamento orientado por dados, reforço operacional e integração entre os órgãos que compõem o Sistema Nacional de Trânsito.

A Rodovida abrange o período mais crítico do calendário viário — Natal, Ano Novo e Carnaval — marcado por férias, viagens em família, festas populares e aumento expressivo do fluxo de veículos, sobretudo em trechos próximos a grandes centros urbanos e destinos turísticos.

Durante a operação, foram registrados 748 sinistros nas rodovias federais baianas, com 1.073 pessoas feridas e 103 óbitos. Os dados evidenciam a dimensão do desafio, especialmente em corredores logísticos estratégicos e de intenso tráfego inter-regional.

Os pontos mais críticos incluíram o Anel Viário de Feira de Santana, a BR-324 na Região Metropolitana de Salvador, o Anel Viário de Vitória da Conquista e segmentos próximos a grandes centros urbanos. Entre as rodovias com maior número de registros destacaram-se a BR-116 (189 sinistros), a BR-324 (167) e a BR-101 (161).

A análise das causas aponta predominância de fatores comportamentais, como falta de atenção, distração ao volante e ingresso na via sem observar a presença de outros veículos. Nos casos de maior gravidade, o excesso de velocidade foi determinante, associado a 48 ocorrências graves. A velocidade elevada reduz o tempo de reação, amplia a distância de frenagem e aumenta a energia do impacto, elevando significativamente o risco de mortes.

No campo da fiscalização, foram lavrados 47.013 autos de infração na Bahia. As principais irregularidades foram ultrapassagem proibida (6.123), excesso de velocidade (6.050), falta de licenciamento (2.781) e condução por motorista inabilitado (1.898). Em Feira de Santana, houve 6.070 autuações, com destaque para excesso de velocidade (1.516).

Além da segurança viária, a operação também atuou no enfrentamento à criminalidade. Foram registradas 338 ocorrências criminais, com 315 pessoas detidas e 41 veículos recuperados. Entre as apreensões, estão 665 mil maços de cigarro contrabandeados, 880 unidades de anfetaminas, 60 quilos de maconha e oito armas de fogo, incluindo um fuzil apreendido em Vitória da Conquista.

No esforço operacional, 83.701 pessoas e 66.063 veículos foram fiscalizados, com a realização de 50.470 testes de alcoolemia. Também houve 176 ocorrências envolvendo manejo de animais soltos na pista, medida que reduz o risco de colisões inesperadas.

A educação para o trânsito também foi prioridade. Mais de 15 mil pessoas participaram de ações educativas, incluindo palestras, comandos educativos e atividades em rodoviárias. A estratégia busca atuar na raiz do problema: o comportamento do condutor.

O balanço da Operação Rodovida 2025/2026 na Bahia revela um cenário ainda preocupante, mas demonstra atuação técnica, integrada e orientada por inteligência. A correlação entre infrações recorrentes — especialmente excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas — e a gravidade dos acidentes reforça que a prevenção exige fiscalização constante, educação continuada e presença efetiva do Estado nas rodovias.

A Rodovida não é apenas um conjunto de números. É uma estratégia permanente para reduzir mortes, alinhar o país às metas internacionais de segurança viária e, sobretudo, salvar vidas.

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