“Nossa luta não acabou”, afirma família de Adrielle ao manter perfil nas redes sociais

O perfil “Justiça por Adrielle”, criado pela família da jovem Adrielle, de 20 anos, afirma que continuará ativo para preservar a memória da vítima, cobrar transparência no andamento do processo e conscientizar a sociedade sobre o feminicídio. Em entrevista ao Jornal Zero75, os familiares relataram que ainda enfrentam dificuldades para obter informações oficiais sobre o caso e disseram ter descoberto a condenação do acusado por meio da imprensa, antes de qualquer comunicação da Justiça.
Segundo a família, a página foi criada logo após a morte da jovem, não apenas para divulgar informações, mas também para impedir que o caso fosse esquecido.
“O perfil Justiça por Adrielle não foi criado apenas para informar. Ele nasceu da dor de uma família que perdeu uma filha, uma irmã e uma pessoa muito amada de forma cruel. Foi criado para manter a memória da Adrielle viva, cobrar justiça e para que nem ela, nem nenhuma outra vítima de feminicídio, seja esquecida”, afirmou.
Os familiares também relataram que sentiram falta de apoio ao longo da investigação. De acordo com eles, a repercussão inicial mobilizou imprensa, curiosos e moradores, mas, com o passar do tempo, a família permaneceu praticamente sozinha na busca por respostas.
“Infelizmente, muitas pessoas estiveram presentes quando o caso ganhou repercussão. No dia em que o corpo da Adrielle foi encontrado, o local estava cheio de imprensa e curiosos. Na caminhada que realizamos por justiça, a realidade foi diferente. Com o tempo, muitos seguiram suas vidas, mas a nossa família continua convivendo diariamente com a ausência e a dor”, relataram.
Outro ponto destacado foi a dificuldade de acesso às informações do processo. A família afirma que, em diversas ocasiões, tomou conhecimento de atualizações pela imprensa antes de receber qualquer comunicado oficial.
“Também enfrentamos a falta de informações. Em alguns momentos, soubemos de novidades pela imprensa antes mesmo de qualquer comunicação oficial à família. Isso aumenta ainda mais o sentimento de impotência.”
Segundo os familiares, a maior indignação ocorreu após a divulgação da condenação do acusado. Eles afirmam que aguardavam a realização de uma audiência, que não chegou a acontecer, e que a decisão judicial não foi comunicada oficialmente à família.
“Continuamos aguardando a Justiça e acreditando que o caso seria tratado com a seriedade que merece. Estávamos esperando a audiência, mas ela nem chegou a acontecer. A maior indignação é que a própria família não foi comunicada oficialmente da decisão. Ficamos sabendo da condenação apenas porque a notícia foi publicada na imprensa.”
A família também informou que busca orientação jurídica para compreender o andamento do processo e esclarecer dúvidas sobre a decisão.
“Além de toda a dor, ainda estamos procurando um advogado que possa nos orientar e esclarecer algumas dúvidas sobre o processo. Até o momento, muitas informações não chegaram oficialmente à família, o que gera ainda mais insegurança e angústia. Nosso único desejo é entender tudo o que está acontecendo e garantir que os direitos da Adrielle e da nossa família sejam respeitados.”
Os familiares reforçaram que o perfil “Justiça por Adrielle” permanecerá ativo para acompanhar todas as etapas do processo, cobrar transparência e ampliar a conscientização sobre o feminicídio.
“O perfil Justiça por Adrielle continuará existindo justamente por isso: para manter a memória da Adrielle viva, cobrar transparência, acompanhar cada etapa do processo e lutar para que nenhuma vítima de feminicídio seja esquecida. Nossa luta não acabou e não vai acabar enquanto houver justiça a ser buscada. E também conscientizar a sociedade para que nenhuma vítima de feminicídio seja esquecida.”
O caso ganhou grande repercussão no Recôncavo Baiano após Adrielle desaparecer e, posteriormente, ser encontrada morta em uma área de mata no município de Governador Mangabeira. Desde então, familiares mantêm mobilizações públicas em busca de justiça e de respostas sobre o caso.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.












