Gravidez é dado sensível e não pode ser vazado, entenda como se proteger

Gravidez é uma informação que deve ser protegida e manipulada com cuidado, mas nem sempre é o que acontece. Trouxemos a história da artista gráfica Larissa Ribeiro, que teve seus dados vazados, e algumas dicas pra você proteger suas informações pessoais.
Em 2020, Larissa descobriu uma gravidez por meio de exames de sangue. Dois meses depois, ela teve um aborto espontâneo e, dias após a perda, recebeu uma mensagem de WhatsApp do laboratório Cryopraxis Criobiologia oferecendo serviço de coleta e armazenamento de cordão umbilical.
Como não havia buscado os serviços nem informado à empresa sobre sua gestação, a designer entrou com uma ação contra Cryopraxis, que argumentou ter usado dados não sensíveis e não sigilosos.
Larissa diz que apenas três instituições tinham seu dado: o SUS; a clínica do médico ginecologista com quem se consultava; e o laboratório onde fez o exame de sangue. Apesar de usar app menstrual, não era frequente, então acha pouco provável que tenha partido dali.
Ainda que Larissa usasse pouco o app, a pesquisadora Marília Rocha afirma que é preciso cuidado com esses aplicativos. Por meio de questionários – com a justificativa de oferta de serviço personalizado -, eles coletam dados das usuárias que podem ser compartilhados com terceiros.
A pergunta que fica é: como podemos nos proteger contra os vazamentos de dados? Para a especialista em segurança digital Erika Moraes, é importante ler os termos. Conhecendo as políticas de aplicação, podemos decidir se realmente quer compartilhar nossos dados com o aplicativo.
Advogada de formação, Marília Rocha faz MBA em cibersegurança na FIAP. Ela explica que aplicativos de monitoramento de menstruação reúnem uma série de dados que podem ser compartilhados com terceiros —como consta nos termos de uso de cada ferramenta.
A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), de 2018, considera como dados sensíveis informações sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural.
A Privacy International, uma ONG com sede no Reino Unido, analisou cinco dos aplicativos mais usados na Europa. O levantamento descobriu que os apps armazenavam dados íntimos e pessoais das usuárias, como a dificuldade de chegar ao orgasmo, frequência com que se masturbam e as visitas ao ginecologista. De acordo com as normas europeias, este tipo de app só poderia coletar informações necessárias para prever o próximo ciclo menstrual ou indicar os dias mais férteis para cada mulher. Mas a pesquisa descobriu que os dados eram compartilhados com empresas como Amazon, Facebook e agências de publicidade.
A recomendação da especialista em segurança digital é ler os termos de uso ao fazer o download do app para entender o nível de compartilhamento das suas informações, principalmente com terceiros. “As pessoas só baixam e não fazem leitura dos termos, mas isso é fundamental —sabendo as políticas da aplicação, se são abusivas ou excessivas, você pode decidir não ingressar ou inserir menos informações nessas aplicações”, diz.
“Na internet, é importante também procurar navegadores anônimos, limpar o cache depois de uma pesquisa nos históricos. Mas, principalmente, é necessária conscientização para este tema, inclusive que seja abordado no currículo escolar.”
Fonte: Universal UOL










