Educação

Estudante de Cruz das Almas ganha bolsa de R$ 42 mil e vai cursar Ciência da Computação nos EUA

O estudante João Vitor Nascimento, de 19 anos, natural de Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, foi um dos três jovens selecionados pelo Fundo Baobá para receber uma bolsa de R$ 42 mil destinada à permanência durante a graduação no exterior.

Em setembro, João embarca para os Estados Unidos, onde irá cursar Ciência da Computação na Northwestern University, uma das instituições de ensino superior mais reconhecidas do país.

A seleção faz parte do programa Black STEM, iniciativa criada pelo Fundo Baobá para ampliar o acesso de estudantes negros a oportunidades acadêmicas nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Além do auxílio financeiro, os selecionados recebem mentorias de carreira, participam de workshops e têm acesso a conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico.

Da curiosidade com computadores à universidade nos EUA

O interesse de João pela computação começou ainda na infância, especialmente pela manutenção de computadores. A afinidade com a área se fortaleceu quando ele ingressou no Instituto Federal para cursar informática.

Criado no Recôncavo Baiano, o estudante também teve contato com lideranças negras e comunidades quilombolas, experiências que contribuíram para sua formação e influenciaram suas escolhas acadêmicas.

A decisão pela Northwestern University ganhou ainda mais força quando João descobriu que a instituição já havia recebido um estudante brasileiro de origem quilombola.

“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, afirmou.

Outros dois estudantes também foram selecionados

Além de João Vitor, o programa Black STEM selecionou outros dois estudantes negros, ambos do Rio de Janeiro.

Caio Ramos, de 23 anos, morador de Irajá, vai estudar Design no Dubai Institute of Design and Innovation, nos Emirados Árabes Unidos. Durante a pandemia, ficou um ano sem aulas devido à falta de estrutura de sua escola para oferecer ensino remoto. No mesmo período, o pai passou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson e precisou deixar o trabalho. Caio começou a trabalhar em 2022 para ajudar nas despesas da família.

Já Quezia Fernanda, de 19 anos, nasceu em Rio das Ostras e cursou o ensino médio técnico em Automação Industrial no Instituto Federal Fluminense. Por meio de uma parceria entre o instituto e a Faculdade de Jaén, na Espanha, conheceu a oportunidade de estudar no exterior. Ela fará Engenharia Elétrica na universidade espanhola.

Para o diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, o programa precisa oferecer mais do que suporte financeiro aos estudantes.

“Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte”, destacou.

Segundo Harvey, a iniciativa também busca criar condições para que jovens negros reconheçam a possibilidade de ocupar espaços de destaque no ambiente acadêmico internacional.

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