Do ringue ao esquecimento: Cruz das Almas celebra 20 anos do mundial de Sertão, mas muitos ignoram seu maior campeão

Há 20 anos, um jovem da Rua Santo Antônio colocou Cruz das Almas no mapa do boxe mundial. Em 21 de janeiro de 2006, nos Estados Unidos, Valdemir dos Santos Pereira derrotou o tailandês Fahprakorb Rakkiatgym e entrou para a história como Sertão, primeiro campeão mundial do esporte nascido na cidade. A conquista foi inédita, simbólica e transformadora, não apenas para o atleta, mas para todo o município.
Duas décadas depois, o feito segue vivo na memória popular, mas contrasta com a ausência de políticas públicas capazes de valorizar essa trajetória. Há cinco anos, Sertão foi convidado pelo então vice-prefeito André Eloy a contribuir com a Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer, com a proposta de usar sua experiência para inspirar jovens e fortalecer o boxe local. Na ocasião, André destacou que a história do atleta provava o poder do esporte como ferramenta de transformação social.
Sertão aceitou o convite com disposição e orgulho, afirmando ser uma satisfação receber reconhecimento após tantos anos vivendo na cidade. No entanto, o tempo passou e nenhum projeto ligado ao boxe foi efetivamente implantado pelo poder público municipal. A oportunidade de usar a história do campeão como instrumento de inclusão e resgate social acabou desperdiçada.
A ex-vereadora Camila Moura também tentou eternizar esse legado ao propor a construção de um monumento em homenagem a Sertão. A iniciativa, porém, não saiu do papel. Para André e Camila, celebrar Sertão vai além de lembrar uma vitória, é reconhecer, com ações concretas, que a cidade deve respeito a quem a levou ao mundo. Confiar é uma escolha, e valorizar sua própria história também.

André Eloy é político, apaixonado por comunicação, idealizador e fundador do JornalZero75. Escreve e compartilha opiniões no site, com olhar crítico, linguagem direta e compromisso com a informação de qualidade.























