Brasil

Deyvid Bacelar aposta no fim da escala 6×1 e na ampliação da oferta de empregos com bons salários

Após ter comandado uma greve na Petrobras que resultou em um dos acordos coletivos mais robustos dos últimos anos, o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar, disse estar confiante que 2026 será um ano de novas conquistas para a classe trabalhadora brasileira, com o fim da escala 6×1, a valorização ainda mais consistente do salário mínimo e a implementação de novas políticas públicas que fortaleçam o mercado interno e ampliem ainda mais a oferta de empregos com bons salários, já que a taxa de desemprego continua caindo, tendo atingido 5,2% neste final de 2025, o menor patamar desde 2012.
Na avaliação de Bacelar, que é membro de dois Conselhos do governo Lula, o de Participação Social (CPS) e o de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), apesar do esforço da direita, da extrema direita e do centrão tentando erradicar as conquistas sociais do povo brasileiro, programas sociais e econômicos como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o PAC e o Nova Indústria Brasil vão continuar impulsionando a demanda agregada e a geração de empregos. “Sabemos que todos esses benefícios sociais, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil, incomodam os setores da direita e da extrema direita em nosso país. Por isso, a classe trabalhadora brasileira e baiana terá o grande desafio de reeleger o presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues para que continuem sendo implementadas as políticas públicas progressistas”, avaliou Bacelar.
“Em 2026 nós vamos avançar na pauta de direitos trabalhistas, incluindo a regulamentação do trabalho remoto e a proteção dos trabalhadores autônomos”, destacou Bacelar. Ele disse também que a FUP vai lutar contra a precarização do trabalho e a perda de direitos trabalhistas. “Defenderemos a reforma agrária como política estruturante para o desenvolvimento nacional. E no âmbito da categoria petroleira aqui na Bahia vamos consolidar as nossas conquistas, reafirmando a importância da retomada das atividades de perfuração onshore da Petrobras na Bahia, a reativação do Canteiro de São Roque e do Estaleiro Enseada do Paraguaçu”, ressaltou.
Já no início de janeiro, a Petrobras vai reinaugurar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Camaçari, e deve retomar as tratativas para a reestatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde. “Após uma árdua luta em 2025, a RLAM certamente voltará a ser comandada pelo Estado Brasileiro”, festeja Bacelar.
Para 2026, Deyvid Bacelar aposta que o estado da Bahia, que já se destaca na produção de energias renováveis (eólica e solar), assumirá o protagonismo na produção de hidrogênio verde e de seus derivados. “Conversei com José Sérgio Gabrielli, o melhor presidente da Petrobras de todos os tempos, e com o governador Jerônimo Rodrigues, também nosso mestre e professor, e chegamos à conclusão de que temos todas as condições para nos tornarmos o estado sede do refino verde no mundo. Essa transição energética iminente é a nova ordem econômica mundial verde. E nós vamos ampliar ainda mais a matriz energética de nosso país”, apontou. “Buscaremos atrair para a Bahia as empresas nacionais e internacionais para que o nosso estado se torne o maior produtor mundial de hidrogênio verde”.

Comitê Brasil Soberano

Ainda de acordo com o sindicalista, 2026 será um ano de defesa dos setores estratégicos do país, por isso a FUP ajudou a implantar em Salvador o Comitê Brasil Soberano (CBS), que vai reunir em 2026 as entidades comprometidas com a pauta desenvolvimentista do país. “Vamos consolidar uma articulação política e social para garantir a defesa dos recursos estratégicos do país, a exemplo do petróleo e das terras raras. Entendemos que a soberania brasileira vem sendo pressionada em diferentes frentes, conforme os interesses econômicos que se impõem sobre setores estratégicos. Por isso vamos defender a nossa soberania, garantindo que decisões fundamentais sobre o futuro do país permaneçam sob controle do povo brasileiro, com programas sociais, desenvolvimento da indústria, geração de empregos e defesa da democracia.
Para o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o Comitê Brasil Soberano trata de uma questão fundamental que é a ameaça norte-americana sobre nós. “A defesa de nossa soberania é fundamental. Esse comitê, associado às atividades do movimento sindical e populares, impulsiona as nossas lutas em defesa da democracia no Brasil, que também está sob ameaça. Acredito que cumprirá um papel estratégico fundamental para mobilizar e manter em ação as forças democráticas do Brasil”, avaliou.

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