Artigos juninos no JornalZero75: Cruzeteiros do Forró: a força do pé-de-serra que atravessa gerações em Cruz das Almas

O ano era 1998. Entre conversas, risadas e encontros despretensiosos, nasceu uma banda que viria a se tornar referência do forró tradicional em Cruz das Almas. Os Cruzeteiros do Forró surgiram como uma brincadeira entre amigos que, mesmo com pouco conhecimento técnico, compartilhavam uma paixão genuína pelo pé-de-serra. O som que os unia era o mesmo que embalava os festejos juninos da infância: sanfona, zabumba e triângulo, numa cadência que ainda hoje desperta memórias afetivas em qualquer canto do Recôncavo Baiano.
Inspirados por ícones como Flávio José, Adelmário Coelho e Santanna, os Cruzeteiros também carregavam a influência dos mestres Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Fagner, além da riqueza melódica de grupos como o Trio Nordestino. O grupo nunca escondeu sua reverência às raízes e fez disso um compromisso com a autenticidade. A proposta era simples: tocar forró de verdade, com respeito à tradição e com a alma enraizada na cultura nordestina.
Da formação original, apenas Simão Neto permanece à frente dos vocais. Os demais integrantes seguiram outros caminhos, já que, naquela época, a música ainda era tratada mais como lazer do que profissão. No entanto, foi em 2003 que os Cruzeteiros deram um salto importante: assumiram o compromisso de profissionalizar o grupo, aprimorando a parte técnica e elevando o nível do repertório. A mudança marcou o início de uma nova fase.
O amadurecimento musical veio acompanhado de um cuidado especial com a escolha das músicas, a harmonia dos instrumentos e a escuta atenta ao público. Em 2006, o grupo lançou seu primeiro CD, Coração Menino, uma produção independente marcada por esforço, união e muito amor ao que faziam. O disco trouxe composições próprias e releituras de clássicos que embalam até hoje os arraiais de Cruz das Almas e região.
Mesmo com o passar dos anos, os Cruzeteiros mantêm viva a tradição do trio de forró, formado por zabumba, triângulo e sanfona. Em algumas ocasiões, se apresentam com banda completa, mas sem jamais perder a essência. Os ritmos nordestinos continuam no centro do palco, assim como as letras que exaltam a cultura local, os festejos de São João e o orgulho de ser do interior.
Hoje, os Cruzeteiros do Forró são mais do que uma banda. São parte da identidade de Cruz das Almas, uma cidade que respira São João o ano inteiro. Ao longo de mais de duas décadas, o grupo construiu não apenas um repertório, mas uma história de resistência cultural, respeito às raízes e amor ao forró. E enquanto houver fogueira, bandeirola e sanfona afinada, os Cruzeteiros continuarão fazendo o que sempre souberam fazer de melhor: tocar o coração do povo com o som mais autêntico do Nordeste.

André Eloy é político, apaixonado por comunicação, idealizador e fundador do JornalZero75. Escreve e compartilha opiniões no site, com olhar crítico, linguagem direta e compromisso com a informação de qualidade.














