Meta reconhece falha em IA após diferença no tratamento de pedidos eleitorais para Lula e Flávio

A Meta reconheceu uma falha em sua ferramenta de inteligência artificial que permitiu a criação de imagens de campanha relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto pedidos semelhantes em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) eram bloqueados. Segundo a empresa, o problema ocorreu em 14 de outubro e foi corrigido no mesmo dia.

O caso foi revelado pelo UOL. Em resposta, a companhia negou favorecimento político e atribuiu a diferença nos resultados a uma falha nos mecanismos de proteção da Meta AI, ferramenta disponível no WhatsApp.
De acordo com a empresa, o sistema bloqueava solicitações que mencionavam diretamente os nomes dos candidatos, como “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro”. No entanto, a ferramenta nem sempre reconhecia referências eleitorais quando um primeiro nome comum era combinado com o número de campanha.
Com isso, alguns comandos que associavam o nome “Flávio” ao número 22 conseguiam gerar imagens de cartazes eleitorais. Em determinadas situações, a mesma brecha permitia criar imagens com o nome “Luiz” acompanhado do número 13, relacionado a Lula.
A Meta afirmou que bloquear isoladamente nomes comuns poderia impedir solicitações cotidianas sem relação com política. A empresa declarou que corrigiu a vulnerabilidade assim que o problema foi identificado e classificou como falsas e infundadas as acusações de favorecimento ou interferência eleitoral.
Conta de anúncios de Lula foi desativada temporariamente
A Meta também reconheceu que a conta de anúncios da campanha de Lula ficou desativada por pouco mais de uma hora, em 23 de setembro.
Segundo a empresa, a medida ocorreu por engano durante uma análise de combate a fraudes. Um anúncio foi classificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo, o que levou à suspensão temporária da conta.
A companhia negou que a desativação tenha sido motivada por questões políticas.
Meta critica regras brasileiras para conteúdo digital
Na mesma manifestação, a empresa criticou as regras brasileiras para conteúdo digital. Segundo a Meta, as normas aumentam o risco de aplicação excessiva de medidas de moderação e podem ameaçar a liberdade de expressão.
A companhia argumentou que, desde 2025, as regras ampliaram a possibilidade de responsabilização das plataformas por conteúdos e anúncios produzidos por terceiros.
O episódio ocorre em meio às discussões sobre o papel das redes sociais e das ferramentas de inteligência artificial durante as eleições de 2026. A diferença de respostas da Meta AI a solicitações semelhantes envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro levantou questionamentos sobre a aplicação das regras eleitorais pelas plataformas.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.










