Daniel Vorcaro nega à PF envolvimento com grupo investigado por intimidação
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (30) e negou envolvimento em atos de violência, ameaça ou intimidação contra desafetos. Ele também afirmou não participar nem ter conhecimento da existência dos grupos identificados nas investigações como “A Turma” ou “Os Meninos”.

Segundo a defesa, o acesso ao inquérito teria demonstrado que as expressões “A Turma” e “Os Meninos” não correspondiam a grupos específicos ou estruturas organizadas. Os advogados também sustentam que não há prática criminosa que possa ser atribuída a Vorcaro.
A investigação da PF, porém, apura a suposta existência de uma organização com diferentes núcleos, que teria atuado no monitoramento de pessoas, obtenção de informações e intimidação de desafetos do ex-banqueiro. Segundo os investigadores, Vorcaro teria papel de coordenação no funcionamento da estrutura.
Entre os elementos analisados pela PF estão mensagens extraídas do celular de Vorcaro e conversas obtidas no aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A investigação também apura relatos de ações contra concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas.
Um dos episódios citados envolve o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo as investigações, integrantes do grupo teriam discutido a possibilidade de simular um assalto contra o jornalista após publicações que teriam desagradado Vorcaro.
Sicário
Durante o depoimento, Vorcaro afirmou conhecer apenas Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. Segundo seus advogados, o ex-banqueiro declarou que mantinha com Mourão um contrato formal de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.
Mourão foi preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero. Posteriormente, morreu na cela da Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte. A defesa de Vorcaro sustenta que a relação entre os dois era exclusivamente profissional e lícita.
Os advogados também afirmaram que eventuais mensagens interpretadas como ameaçadoras seriam apenas “desabafos” feitos em momentos de indignação e que não teriam resultado em ações concretas contra terceiros. A defesa sustenta ainda que, ao longo da investigação, não foi identificada vítima dos supostos atos de violência mencionados no inquérito.
Pedido de liberdade
Após o depoimento, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Para os advogados, os motivos que fundamentaram a prisão não permaneceriam atuais e não haveria razão para que o empresário continuasse preso enquanto as investigações prosseguem.
A investigação faz parte do conjunto de apurações da Operação Compliance Zero, que também investiga suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master. Vorcaro permanece preso preventivamente.
Henrique Vorcaro também depôs
O pai de Daniel, Henrique Vorcaro, também prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira. Ele negou ser articulador da estrutura chamada de “A Turma” e afirmou ter mantido apenas relações comerciais com três pessoas apontadas nas investigações como integrantes do grupo.
A defesa de Henrique também contesta a manutenção da prisão preventiva e afirma que o empresário não participou de atividades ilícitas atribuídas à organização investigada.
Letróloga em Língua Espanhola e redatora do JornalZero75. Natural de Alagoinhas e residente em Santo Antônio de Jesus há 8 anos.
















