Queda no preço do cacau não reduz valor do chocolate para consumidores

A cotação do cacau registrou forte queda no sul da Bahia, mas o recuo não foi repassado ao consumidor final, mantendo o preço do chocolate em alta. Em março, a arroba foi vendida a R$ 161, menor valor para o mês na série histórica, nesta terça-feira (31), contra R$ 199,93 no mesmo período anterior.
A variação representa uma queda de quase 20% em apenas um mês e uma desvalorização de 80% ao longo de doze meses. Mesmo com medidas como a suspensão das importações da Costa do Marfim e mudanças em benefícios fiscais, o mercado não reagiu como esperado.
O cenário global também influencia diretamente o setor. O mercado entrou em um novo ciclo, passando de déficit para superávit na produção de cacau. A expectativa é de superávit de 287 mil toneladas na safra encerrada em 2026, com estoques mundiais que cresceram 29,2%, chegando a 1,3 milhão de toneladas.
Essa mudança ocorre em meio à retração da demanda e ao aumento de 11% na produção global. No Brasil, a moagem de cacau caiu 14,6% em 2025, enquanto o recebimento de amêndoas subiu 3,7%, indicando descompasso entre oferta e processamento.
Apesar da queda no preço da matéria-prima, os produtos derivados continuam mais caros. Nos últimos doze meses, barras e bombons registraram alta de 26,36%, enquanto o chocolate em pó subiu 17,90%, evidenciando que o consumidor não sentiu alívio nos preços.
Matéria: Jornal Correios.






















